terça-feira, 7 de julho de 2020

CORONAVIRUS: ONDE TUDO COMEÇOU

TEMPO DE TORTURA: CORONAVIRUS

Faz 102 anos. Tempos desafortunados. Guerra em 1918 e o início da propagação de uma gripe mortal que ganhou o nome de espanhola. Os terráqueos viviam em plena angústia, amedrontados, com duas periclitantes situações: luta armada entre nações e uma doença infectocontagiosa. A guerra começou ao início daquele ano e a peste logo depois. O conflito na Europa ceifou 17 milhões de guerreiros e a pandemia gripal, mais de 50 milhões de vítimas civis. A vasta e mortal enfermidade começou nos Estados Unidos, mais exatamente no estado do Kansas, num campo de treinamento de soldados, que se preparavam para ir à Europa lutar na 1ª Guerra Mundial, quando surgiram os primeiros sintomas da gripe espanhola. Aliás, nada a ver com a Espanha. Recebeu esse nome pela razão da Espanha não participar da guerra e por isso informar verdadeiramente o que ocorria com a hedionda guerra e a repulsiva gripe. Outros países boicotavam as reais notícias para não causar pânico na população. No início, lá no campo de treinamento americano, a gripe começou pouca intensa. Tempos depois a peste atingiu a Europa de modo impactante, inapelavelmente letal, matando soldados entrincheirados. Mais adiante, pelo contágio iminente, a pandemia atingiu a população civil em quase todos os continentes. O surto foi devastador, a virulência assoladora. A guerra, com soldados dentro de trincheiras, agrupados, sujeitos a intempéries, frio, todo o tipo de fenômeno natural, facilitava a disseminação da moléstia. Em hospitais uma pior situação: doentes aglomerados, debilitados e desnutridos, a pestilência matando. Naquele ano, como sempre acontecia, navios europeus atracavam em portos brasileiros. Um deles, um inglês, trouxe uma passageira fatídica e amaldiçoada, um tipo da gripe influenza. Do porto onde atracou, a moléstia contagiosa espraiou-se pelo país inteiro, colocando em óbito 35 mil brasileiros. Chegou a afetar a política. O presidente eleito Rodrigues Alves faleceu antes de assumir seu segundo mandato. O vice Delfim Moreira tornou-se presidente, desfecho político natural. As pandemias envolvem discussões, controvérsias na busca de lideranças, do poder político e daí advém erros desastrosos. Em São Paulo, o governo acreditou tratar-se de um resfriadinho. Geograficamente a Europa ficava muito longe e dificilmente, mesmo que fosse uma forte gripe, jamais abalaria os paulistas. Porém, mesmo assim se caso aportasse, o governo estava plenamente capacitado para enfrentar a “espanhola”. Ledo engano. Não estava. A espanhola chegou em setembro de 1918 e foi aquele desastre. Para o combate à moléstia o governo, pelo Serviço Sanitário, propagandeou uma série de cuidados para a população se prevenir. Além disso o poder político teve o direito a excepcionais verbas para dizimar a gripe. Não adiantou. Ao final do ano de 1918, quase 6.000 paulistas tinham morrido. São Paulo foi o exemplo do que aconteceu no plano nacional de histórica lentidão e incompetência, institucionalização errônea dos governos, a inépcia dos serviços de saúde.

Ano de 1918, ano de 2020, gripe espanhola, covid 19, parece que as coisas se repetem, existe uma analogia nas tomadas de decisões, incertezas no governo federal, a segurança plena em tomar atitudes dos governos estaduais. É bem assim.

   

 

  

 

 


PANDEMIA: ONTEM E HOJE

PAIXÃO DE VERÃO

E DAÍ???

FOLHAS DE OUTONO

O grande sucesso musical da década dos anos 50, foi Autumn Leaves (Folhas de Outono) cantada por Nat King Cole. Dezenas de outras gravações ocorreram desde aquele tempo, destacando-se Frank Sinatra e recentemente Bob Dylan. Autumn Leaves, trata-se de uma composição musical talentosa, de inspiração romântica e sentimental. A poesia é de amorosa sensibilidade.  Na tradução, o primeiro verso:

“As folhas que caem no chão em direção a minha janela/As folhas de outono de vermelho e ouro”

Folhas de outono, secas ou mortas. Outono estação espremida na transição entre o calorento verão e o friolento inverno, duas estações contrapostas evidentemente. O agora outono austral, iniciado em março, modifica o mundo natural, fenômeno físico que se caracteriza com a diminuição da luz solar. O escurecer da noite chega cedo, diminuindo o espaço da tarde e consequentemente o dia. O crepúsculo vespertino, tempo macambuzio, oportuniza para refletir, meditar, analisar, as circunstâncias entre tantas, comportamentos, fatos e conceitos. Outono, a estação que causa melancolia, observando-se as folhas dos arvoredos, que já foram verdes, cheias de vida, agora tristonhamente empalecidas, amareladas, folhas secas. O tempo de outono determina que elas abandonem os galhos das árvores. São folhas de outono, impelidas inexoravelmente a cair. Tentam evitar esse malogrado destino para não serem estupidamente pisoteadas e inclementemente varridas, causando o pungente som da folhas secas pisadas. Assim esvoaçam demoradamente ao sabor do vento frio, na tentativa de não chegar ao indefectível destino. Folhas ao léu, que deveriam proteger árvores as deixam indefesas, desnudas, pelo castigo da intempérie. Folhas no chão. Nenhum empecilho ocorreu para aquilo que estava fadado. Mesmo assim, são predestinadas a promover outra beleza natural. No chão, espalhadas colorem com diversos matizes, do amarelo ao vermelho, tons indefinidos de beleza. Parecem ainda cheias de vida.  Passantes comuns não observam aquele encanto disperso. Já as pessoas, amantes da natureza, caminhando em parques, ficam deslumbradas, têm a simples, cativante e agradável sensação de ouvir aquele som, quase silencioso, do vento movendo as folhas secas. O vento pode levá-las a lugares incertos e desconhecidos. Atiradas no chão uma varredura acontece para deixar o local limpo. Varridas, algumas ainda têm utilidade, tornando-se lixo orgânico. Outras não têm serventia alguma por ignorância das pessoas, são atiradas em lugar fétido num lixão, misturando-se com toda espécie de excrementos. Folhas que viram lixão atiradas em covas simples, preparadas para as folhas mortas, ou cadáveres, sem qualquer respeito, piedade, consolação, ali enterrados como se fossem indigentes.

O texto pode ser interpretado como metáfora, pode ser interpretado como mera coincidência

Enfim, folhas de outono, folhas secas, folhas mortas.

 

 

 

 

 

 


domingo, 3 de maio de 2020

DESGRACEIRA


 Minúsculos, são agentes infecciosos desprezíveis. Maléficos, nocivos, possuem uma perigosa tendência para o mal, ameaçando a existência das pessoas. Eles são miudinhos, invisíveis a olho nu. Bandidos, assassinos formados em estrutura, são gigantes em infectar as pessoas num processo de intensa rapidez de destruição das células humanas. Homicidas em potencial, sobrevivem tirando a vida alguém. No microscópio eletrônico eles surgem com aquela horrenda, terrível e assustadora coroa colorida com aparência que apresenta deformidade repulsiva.  
O prefácio denota que o texto envolverá coisa ruim, algo diabólico do capeta. Pois bem, envolve. Estamos falando de coisinhas satânicas, maquiavélicas, verdadeiras pestes, com sanha invulgar, denominadas como vírus no latim ou, como queiram, em português, veneno ou toxina.
São parasitas intracelulares, traiçoeiros, pérfidos e infelizes, que permanecem vivos na dependência de outros organismos, prejudicando o seu hospedeiro. Esses seres diminutos, infinitamente baixinhos, não possuem condição de crescerem em tamanho e de se dividirem, fora do ambiente celular, uma vez que não possuem enzimas e estruturas necessárias para reproduções, aquele bolinho reduzidíssimo, torna-se inerte de material genético.
Vírus são abusados, tétricos, mortais, quando infectam uma célula, estupidamente forçando-a a reproduzir milhares de outros danosos seres, cruel perversidade. Enquanto os humanos são tolhidos em suas vidas normais, sitiados em suas casas, os infames bichinhos energúmenos estão por aí, em plena liberdade disseminando a moléstia, provocando ambiente hostil. Beijos, abraços, sexo, somente para aqueles que estão distanciados da praga, recolhidos em suas residências. Temos outros tipos de vírus perigosos, mas não fatais que infestam o sistema do computador. Claro não são biológicos, mas tecnológicos. Traste invasores. Figuras criada por inescrupulosos. Não matam, mas deixam as pessoas apoquentadas, aporrinham o cérebro, o que de repente pode se tornar um pequeno mal, uma simples dor de cabeça, porém uma formatação pode remediar. Outros, os biológicos, nefastos e obstinados, não têm formatação que possa dar jeito. Prosseguem em sua desdita criminosa destruindo vidas. Desgraceira em forma de tragédia.