Momentos antes de um jogo pela Copa do Mundo, vestiário sa seleção brasileira. Jogadores prontos, devisamente uniformizados para entrarem em campo. Perfilados, imbuidos do mais alto sentimento de patriotismo, ouvem as últimas palavras do comandante, general Dunga. É o grau máximo de concentração. Fala o chefe:
"Estamos prontos para a batalha. Como verdadeiros soldados defenderemos nossa pátria do inimigo que tenta nos ultrajar. É ou não é?. Respondem todos, unissonoss:
"SIM...SENHOR"
A retoríca do comandante continua, com todos atentos e passa pelas recomendações:
"Não quero nada de firulas, pedaladas, jogo bonitinho, o tal do futebol arte. "Com nós" bola para frente e porrada. Entenderam". Todos:
"SIM...SENHOR
O comandante prossegue no seu proselitismo cívico:
“Tem gente contra a gente. Esse pessoal da imprensa, esses jornalistas que desejam nos desmoralizar, fazer de nós perdedores. Mostraremos a eles que somos vencedores, invencíveis no campo de jogo, tal e qual num campo de batalha. Concordam?”. O grupo obediente responde a uma só voz: Momentos antes de um jogo pela Copa do Mundo, vestiário da seleção brasileira. Jogadores prontos, devidamente uniformizados para entrarem em campo. Perfilados, imbuídos do mais alto sentimento de patriotismo, ouvem as últimas palavras do comandante, general Dunga. É o grau máximo da concentração. Fala o chefe:
“Estamos prontos para a batalha. Como verdadeiros soldados, defenderemos nossa pátria do inimigo que tenta nos ultrajar. É ou não é?” Respondem todos, uníssonos:
“SIM...SENHOR”.
“SIM...SENHOR”
O discurso patriótico, a dialética ufanista, o argumento cívico segue:
“Os brasileiros esperam de nós, como soldados, a vitória. Vamos massacrar o adversário, desaforá-los, enfrentá-los sem medo. A vitória final será nossa”.
Os soldados, melhor os jogadores, orgulhosos, peito estufado, em coro respondem:
“SIM...SENHOR”
Em campo os soldados, melhor os jogadores, davam de si. O emocional estava estampado na fisionomia, retratado no movimento de cada um deles. A televisão mostrou o olhar esbugalhado, de pura raiva de Robinho, cara a cara, diante de um adversário holandês. Tal e qual um antropófago parecia comê-lo vivo com os olhos.
Pois bem. Nada adiantou. O Brasil foi eliminado na Copa do Mundo.
Claro que a narrativa acima se trata de uma peça fruto da imaginação. Uma narrativa ficcional, um jogo de palavras na formação de uma parábola. Isso tudo é proveniente do comportamento público do treinador da seleção Dunga, resultado de suas atitudes equivocadas e desrespeitosas. De ser um reacionário, conservador em seu modo de agir, possuidor da soberba, irmã da arrogância. Mostrou um ser onipotente, dono da verdade, semideus. Desprezou a imprensa, chegou a ofendê-la. Com os jornalistas foi grosseiro, mal-educado. Dunga pagou por seus pecados.
Claro, caso Dunga voltasse campeão do mundo, pouca disso seria discutido. Voltaria como um herói, comandante de um grupo que deu tudo pela pátria. Um vencedor.
Não importaria sua soberba, sua arrogância. Onipotente estaria com a taça na mão. A imprensa continuaria divulgando bobagens, mentiras. Continuaria sendo ofendida. Os jornalistas, aqueles do puro espírito da controvérsia, da intriga e fofocas, nada representam. Devem continuar sendo tratados com grosserias, pela má-educação.
Afinal o Brasil era hexa campeão do mundo.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Gaúcho reacionário
Sócrates, ex-jogador do Corinthians e seleção brasileira numa entrevista, a determinado jornal inglês (ao que parece The Guardian) perguntado sobre o ex- treinador da seleção Dunga, disse ser ele proveniente de uma região do sul do Brasil muito reacionária. Como Dunga é gaúcho, tido como reacionário, evidentemente que a região referida por Sócrates é o Rio Grande do Sul.
Conservadores gaúchos não gostaram da citação de Sócrates. Revoltados - como ser reacionário é a pior coisa do mundo - argumentaram sem muita consistência.
O Rio Grande é reacionário. A história conta isso. Episódios políticos constatam o reacionárismo. A Guerra dos Farrapos, com a revolta Farroupilha contra Império é um fato. O ditador Getulio Vargas durante 15 anos manteve uma ditadura no país. Na ditadura militar do golpe de 1964 três presidentes militares nasceram no Rio Grande do Sul: Costa e Silva, Medici e Geisel, sem falar no Figueiredo que andou por aqui apredendo a andar de cavalo. Isso tudo parece ser reacionarismo.
Conservadores gaúchos não gostaram da citação de Sócrates. Revoltados - como ser reacionário é a pior coisa do mundo - argumentaram sem muita consistência.
O Rio Grande é reacionário. A história conta isso. Episódios políticos constatam o reacionárismo. A Guerra dos Farrapos, com a revolta Farroupilha contra Império é um fato. O ditador Getulio Vargas durante 15 anos manteve uma ditadura no país. Na ditadura militar do golpe de 1964 três presidentes militares nasceram no Rio Grande do Sul: Costa e Silva, Medici e Geisel, sem falar no Figueiredo que andou por aqui apredendo a andar de cavalo. Isso tudo parece ser reacionarismo.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Deu Espanha
Em mais um jogo pela fase semifinal, deu Espanha. Espanha e Alemanha realizaram um jogo murrinha, sem maiores emoções, com passes para lá, para cá. Na verdade emoção somente por volta dos 30 minutos do segundo tempo, com o gol espanhol. A Espanha foi uma equipe superior aos alemães. Merceu a vitória de 1x0 e a classificação para o jogo final. Assim, domingo, pelo titulo da campeão mundial de futebol jogarãpo Espanha x Holanda.
Jogo Espanha x Alemanha. Fiquei em dúvida para quem torcer, não que desejasse ficar em cima do muro, mas por uma questão de afinidade. Por parte de mãe minha descendência é alemã. Por parte de pai minha ascendência é espanhola. Meu avô nasceu numa provincia espanhola e por essa ascendência tão próxima, não poderia ser diferente: torcer pela Espanha e ganhei.
Jogo Espanha x Alemanha. Fiquei em dúvida para quem torcer, não que desejasse ficar em cima do muro, mas por uma questão de afinidade. Por parte de mãe minha descendência é alemã. Por parte de pai minha ascendência é espanhola. Meu avô nasceu numa provincia espanhola e por essa ascendência tão próxima, não poderia ser diferente: torcer pela Espanha e ganhei.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Perdeu por seus defeitos
Dunga entre muitos defeitos destacou-se por sua arrogância, de se achar onipotente dono de tudo, fantasiado de Deus. Mal-educado, estúpido com a imprensa, grosseiro com repórteres. Escondeu os jogadores das entrevistas, a não ser aquelas obrigatórias determinadas pela FIFA. Recolheu o time a um regime de concentração como num quartel militar ou um seminário católico. Escondeu tanto a seleção que o seu futebol ficou devidamente escondido.
Uma equipe de veteranos com o castigo de plena concentração não teve força para enfrentar equipes mais jovens. Vale a comparação. Argentina tinha em sua seleção sete jogadores com idade inferior a 23 anos. A Alemanha formou a equipe mais jovem da Copa. Equipes africanas teve como base a renovação pela juventude. A seleção brasileira tinha somente um jogador com idade inferior aos 23 anos, Ramires.
Pensando bem a equipe da Holanda não se trata de nenhuma maravilha. O Brasil é que esteve muito mal.
Uma equipe de veteranos com o castigo de plena concentração não teve força para enfrentar equipes mais jovens. Vale a comparação. Argentina tinha em sua seleção sete jogadores com idade inferior a 23 anos. A Alemanha formou a equipe mais jovem da Copa. Equipes africanas teve como base a renovação pela juventude. A seleção brasileira tinha somente um jogador com idade inferior aos 23 anos, Ramires.
Pensando bem a equipe da Holanda não se trata de nenhuma maravilha. O Brasil é que esteve muito mal.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Acabou a era Dunga
Definitivamente a era Dunga de jogador e de técinico acabou. Com o seu estilo militar reacionário, com uma seleção de futebol ultra-conservador, acadêmico no aspecto defensivo, jogando sempre em cima do erro adversário (que nem sempre aconteceu), privando o time da essência maior do futebol que é por natureza a capacidade criativa do brasileiro, retirando do jogador o instinto técnico natural do jogador, a inventividade técnica individual do dribling. Dunga formou uma equipe a sua semelhança, futebol duro, combativo, as vezes até grotesco, mas certamente sem nenhuma criatividade. Não poderia ser diferente: a derrota era iminente, a qualquer momento. Foi vencedor diante de equipes inferiores, embora algumas enfretando certa dificuldade. Quando encontrou uma equipe organizada e superior, sucumbiu. Acabou a era Dunga. O brasileiro aguardava por isso. A seleção não lhe inspirava confiança. Foi desclassificada sem maiores traumas. A verdade estava escrita.
Consolo: a Argentina foi goleada e está fora. Manchete do jornal Olé (jornal esportivo da Argentina) em manchete noticiava a derrota brasileira num fundo cor de laranja. Dia seguinte, derrota da Argentina o site Globo.com tinha como manchete somente isso:
Hahahahahahahahaha.
Consolo: a Argentina foi goleada e está fora. Manchete do jornal Olé (jornal esportivo da Argentina) em manchete noticiava a derrota brasileira num fundo cor de laranja. Dia seguinte, derrota da Argentina o site Globo.com tinha como manchete somente isso:
Hahahahahahahahaha.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Incomodação
Todos devem conhecer aquela musiquinha infantil: um elefante incomoda muita gente; dois elefantes incomodam muito mais; três elefantes incomodam, incomodam ... e por ai vai. Uma vuvuzela que emita o grito de uma manada de elefantes, incomoda, incomoda, incomoda...Milhares de incomodações, pelas vezes soprada num estádio de futebol.
O grito do elefante é estridente de acordo com o seu porte descomunal. Ecoa pela selva, espalha-se pelos quatro cantos o que permite diminuir gradativamente sua intensidade. A vuvuzela nos estádios imita o grito do elefante em espaço restrito, o som agudo fica compactado, vibrante não tem como expandir-se O impacto sonoro é absorvido diretamente como um estampido pelo ouvido humano, o que parece ser a sensação do torcedor presente. Quem já teve oportunidade de presenciar uma solenidade de formatura sabe o quanto é intolerante e desagradável aquele som de corneta O torcedor que assiste ao jogo pela televisão sente-se também incomodado pelo som da vuvuzela. Ao fundo, na transmissão, aquele incomodativo som produzido por enxame de abelha.
Além do barulho insuportável, a vavuzela é antidemocrática e ditatorial. Não permite outras manifestações das torcidas, como a vaia, as palmas, os cânticos de incentivo, os gritos de guerra, xingamentos à arbitragem.
Houve um movimento querendo proibir o som da vulvuzela nos estádios, o que foi negado, por se tratar de uma questão cultural da África do Sul.Os costumes de uma nação vem de determinados hábitos durante gerações. Não parece ser, nada a ver com as vuvuzelas feitas de moderno material plástico. Aceitável seria a vuvuzela (na língua zulu, fazer barulho) de origem antiga, de tribos ancestrais sul-africanas, feita com o corno da pala-pala, um antílope africano, dessa forma autenticamente cultural. No entanto um esperto empresário por volta de 1990 a introduziu nos estádios em “nome da cultura”, um cornetão de um metro de plástico em diversas cores. Pretende exportá-la para o Brasil. Provável incomodação por aqui também.
É muita incomodação. Junte-se mais incomodação. Ver o ridículo e superado futebol das seleções da França e Itália. Assistir, por pura incomodação, o jogo entre Japão e Paraguai tão ruim que ficou no 0x0 durante 120 minutos, resolvido somente pela cobrança de pênaltis. Incomoda observar no time do Brasil com Felipe Melo e Michel Bastos, os dois que em determinada época colocaram o Grêmio na segunda divisão.
Todas essas incomodações serão esquecidas, vale até como regozijo o som de milhares de vuvuzelas com o Brasil hexa campeão do mundo.
*** ***
Simpatia, atenção. A partir da próxima segunda-feira, diariamente estarei postando no meu blog assuntos concernentes ao cotidiano. Valerá como uma crônica diária das questões mais palpitantes que a coluna semanal não pode abordar pela falta de espaço e a separação do tempo assuntos diários: falasimpatia.blogspot.com
O grito do elefante é estridente de acordo com o seu porte descomunal. Ecoa pela selva, espalha-se pelos quatro cantos o que permite diminuir gradativamente sua intensidade. A vuvuzela nos estádios imita o grito do elefante em espaço restrito, o som agudo fica compactado, vibrante não tem como expandir-se O impacto sonoro é absorvido diretamente como um estampido pelo ouvido humano, o que parece ser a sensação do torcedor presente. Quem já teve oportunidade de presenciar uma solenidade de formatura sabe o quanto é intolerante e desagradável aquele som de corneta O torcedor que assiste ao jogo pela televisão sente-se também incomodado pelo som da vuvuzela. Ao fundo, na transmissão, aquele incomodativo som produzido por enxame de abelha.
Além do barulho insuportável, a vavuzela é antidemocrática e ditatorial. Não permite outras manifestações das torcidas, como a vaia, as palmas, os cânticos de incentivo, os gritos de guerra, xingamentos à arbitragem.
Houve um movimento querendo proibir o som da vulvuzela nos estádios, o que foi negado, por se tratar de uma questão cultural da África do Sul.Os costumes de uma nação vem de determinados hábitos durante gerações. Não parece ser, nada a ver com as vuvuzelas feitas de moderno material plástico. Aceitável seria a vuvuzela (na língua zulu, fazer barulho) de origem antiga, de tribos ancestrais sul-africanas, feita com o corno da pala-pala, um antílope africano, dessa forma autenticamente cultural. No entanto um esperto empresário por volta de 1990 a introduziu nos estádios em “nome da cultura”, um cornetão de um metro de plástico em diversas cores. Pretende exportá-la para o Brasil. Provável incomodação por aqui também.
É muita incomodação. Junte-se mais incomodação. Ver o ridículo e superado futebol das seleções da França e Itália. Assistir, por pura incomodação, o jogo entre Japão e Paraguai tão ruim que ficou no 0x0 durante 120 minutos, resolvido somente pela cobrança de pênaltis. Incomoda observar no time do Brasil com Felipe Melo e Michel Bastos, os dois que em determinada época colocaram o Grêmio na segunda divisão.
Todas essas incomodações serão esquecidas, vale até como regozijo o som de milhares de vuvuzelas com o Brasil hexa campeão do mundo.
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Simpatia, atenção. A partir da próxima segunda-feira, diariamente estarei postando no meu blog assuntos concernentes ao cotidiano. Valerá como uma crônica diária das questões mais palpitantes que a coluna semanal não pode abordar pela falta de espaço e a separação do tempo assuntos diários: falasimpatia.blogspot.com
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