Percorro um pouco mais de 100 metros, chego a uma praia no litoral catarinense e estou diante de um mar maravilhoso. Mais exatamente me situo na praia da Pinheira vizinha a Guarda do Embaú, local de natureza exuberante e intocado, e isso se explica ao fato da região estar dentro do Parque Estadual da Serra Tabuleiro, área ambiental por lei estadual. Vou desfrutar de todo esse privilegiado ambiente natural.
Finco o guarda-sol na faixa de areia fina e alva. Acomodo-me preguiçosamente numa cadeira de alumínio com assento de lona. Aprecio deslumbrado aquele conjunto das leis que regem as existências das coisas, ali de forma magnífica.
Levanto-me, chego à beira-mar. Água de temperatura amena, límpida e transparente. O olhar se perde no horizonte, na vastidão do mar imenso. Se não sentisse ou visse toda aquela resplandecente realidade tudo poderia passar por um devaneio.
Volto a me acomodar na cadeira. Passo a observar outro aspecto da generosa natureza, essa humana, em algumas mulheres. Nem todas são perfeitas. Há aquelas que não foram aquinhoadas ou foram esquecidas pela mãe natureza. Umas gordinhas, outras baixinhas e entre elas as feinhas e essas me desculpe parafraseando Vinicius de Moraes: “que elas me perdoem, mas beleza é fundamental”.
Mulheres e mulheres, as lindas, as rainhas, todas. Entre todas, passa na minha frente na improvisada passarela na areia, aquele monumento em homenagem a beleza e a graça da mulher. Linda, demasiadamente formosa. Caminha lentamente de forma malemolente, de andar provocativamente reboliço. O biquíni, com a tendência da moda atual - colorido, tomara que caia, lacinhos unindo a parte da frente com a de traz – emoldura aquele corpo de deusa. Imponente como uma rainha deixa os súditos boquiabertos, claro os homens. Alguns estão acompanhados de suas mulheres. Cada um, de esguelha, para não dar bandeira e consequentemente bobeira, aprecia o maravilhoso momento. Aquela visão permite na mente de alguns surgir a maledicência em razão da sexualidade. A libido provoca o id, o inconsciente, os impulsos instintivos que deseja ardentemente que um dos lacinhos do pequeno biquíni se desate e a imaginação fique à solta. Em contraposição, por uma questão de pudor, funciona o ego, parte organizada do sistema, mediador e integrado, ponto de equilíbrio, para que a indefesa jovem não fique a mercê do ímpeto sexual, se livre de um constrangimento, não passe vergonha pelos maus pensamentos no simples desamarrar de um laçinho.
Indiferente a tudo, imune a qualquer desejo, prossegue em seu caminhar monárquico, digno de uma rainha. Os outros que pense o que pensarem.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Inconveniência
Andei por ai. Litoral catarinense com diversas e diferentes opções. Praias, trilhas em morros, rios e lagoas. Apesar disso existem algumas inconveniências, principalmente nas praias, em virtude da aglomeração de pessoas. O sol que desaparece, a chuva que cai. A criança que brinca de jogar areia nos outros, inclusive com o marmanjo do pai. Sobra areia para todos aqueles que estão por perto. A vizinhança de guarda-sol bebe caipirinha. Convite para as abelhas se aproximarem. São inofensivas, mas incomodam. O perigo é algumas delas tomarem doses a mais. A moça quer se acomodar melhor na toalha esticada na areia. Levanta-se, sacode a dita cuja e espalha areia por todos os lados. Se dane quem está por perto. A madame sabe que é proibido caminhar com o cachorro na praia. Ela insiste. É a vez do nordestino - que pode ser um cearense, paraibano ou piauiense – se aproximar querendo convencer aos circunstantes comprar redes. Pouco depois surge o shoping ambulante. A vendedora, num carrinho mal ajambrado, tem nas araras vestidos, biquínis e saídas de praia expostas. Moças, senhoras experimentam as vestimentas. Uma, com exagero abdominal, manequim 50, escolhe um biquíni tamanho 44. Não vai dar certo. A moça lambuzada de óleo protetor solar veste um, outro, nenhum vestidinho serve. A senhora está suando as bicas. Não é empecilho para experimentar a saída de praia. Não gosta. Não há cor do seu desejo. Negócio por ali nenhum acontece. A vendedora segue seu caminho com vestidos, biquínis, saídas de praia, produtos naturalmente emporcalhados pelo fato do experimentar, do veste e deveste. Em todas as praias há esses inconvenientes. Nas praias gaúchas acrescem-se outros fatos inoportunos. A constante chuva é um deles. No dia de sol abrasador o desejo de entrar no mar. Impossível. Água fria e achocolatada. O dia de sol está brilhante, mas não dá agüentar o chamado vento “nordestão”. Cachorro perdido e vadio, caso de saúde publica, tem em qualquer lugar, mas desfile de cavalos, a chamada cavalgada é pior, porque é organizada, infectando a areia com excrementos contaminado e infectado a areia, além de latinhas de cerveja, garrafinhas de água espalhadas pela orla.
*** ***
Retorno. Caminho pela cidade. De repente triste e desagradável constatação: desapareceu a Praça da Matriz. Antigo pinheiro, árvores frondosas foram derrubadas. O local dá a impressão que ali se formou uma clareira. Um tapume cerca a devastação. No mesmo tapume, quem sabe, um ativista solitário escreveu duas palavras que significa tudo: “crime ambiental”. A frase já foi apagada, talvez por uma questão de segurança pública, evitando-se uma provável revolta dos ambientalistas.
*** ***
Clovis é exagero dizer que passei 60 dias na praia. Não é bem assim. Foram 49, embora ainda tenha mais alguns dias com a semana de Carnaval.
*** ***
Retorno. Caminho pela cidade. De repente triste e desagradável constatação: desapareceu a Praça da Matriz. Antigo pinheiro, árvores frondosas foram derrubadas. O local dá a impressão que ali se formou uma clareira. Um tapume cerca a devastação. No mesmo tapume, quem sabe, um ativista solitário escreveu duas palavras que significa tudo: “crime ambiental”. A frase já foi apagada, talvez por uma questão de segurança pública, evitando-se uma provável revolta dos ambientalistas.
*** ***
Clovis é exagero dizer que passei 60 dias na praia. Não é bem assim. Foram 49, embora ainda tenha mais alguns dias com a semana de Carnaval.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
A formatura
Sei filho, tenho conhecimento de todas as dificuldades vencidas, dos obstáculos superados em sete anos de estudo. Sua persistência constante, a perseverança inabalável, a dedicação total, fatores fundamentais para alcançar os objetivos e com isso consolidar sua vocação. Desde adolescente surgiu o interesse pela Natureza, ecologia como fator preponderante de vida, preferências que denotavam sua escolha profissional. Enfim o estudo, o profissionalismo da ciência ligada aos seres vivos, da preservação ao meio ambiente, era de fato sua aptidão.
A preferência foi pela Engenharia Ambiental que tem como base o desenvolvimento sustentado e como toda engenharia o estudo da ciência da aplicação, dos princípios científicos e empíricos para fins específicos, no seu caso a relação, os problemas ambientais de forma integrada nas suas dimensões ecológica, social, econômica e tecnológica. Engenharia faz parte do campo das ciências exatas, da capacidade de expressões quantitativas, das predições precisas, dos métodos rigorosos para desenvolver conhecimentos, de testar hipóteses. A exatidão de que dois com mais dois são quatro. Por isso foi difícil você vencer as exigências de um processo, para alguém que não era adepto aos cálculos, fundamentalmente pela matemática e física.
Tudo poderia ser mais fácil se tivesses adquirido a genética de sua mãe, professora de ciências, matemática e física. Mas certamente alguma coisa sobrou dessa hereditariedade para cursar a engenharia.
Superados os desafios, em fim a formatura. E nesse país de desigualdades sociais, de injustiças vergonhosas, de distorções humanas, você é um privilegiado.
No Brasil há quase 14 milhões de analfabetos - pessoas com idade acima de 15 anos de idade que não sabem ler ou escrever. 25% da população são enquadrados como analfabetos funcionais – pessoas que tem no máximo quatro anos de estudo completo, que não desenvolveram a habilidade de compreender textos e de fazer as quatro operações matemáticas. Trata-se de um país em que somente 59 alunos entre 100 conseguem terminar o ensino fundamental. Desses, unicamente a metade, ou seja, 50% chegam ao ensino médio. Na Universidade concluem um curso superior somente 3,4% dos brasileiros. Portanto, nesse país de tantas e fundamentais diferenças, do descalabro educacional, vergonhoso e injusto, todo o brasileiro com curso superior adquiriu esse direito especial e merecido, por que teve a prerrogativa de um estudo privilegiado, algo negado lamentavelmente por exclusão a milhões de brasileiros.
Por tudo isso valeu filho, a formatura, a comemoração. És um privilegiado felizardo entre os poucos mais de 3% de brasileiros que chegam a esse grau de educação.
A preferência foi pela Engenharia Ambiental que tem como base o desenvolvimento sustentado e como toda engenharia o estudo da ciência da aplicação, dos princípios científicos e empíricos para fins específicos, no seu caso a relação, os problemas ambientais de forma integrada nas suas dimensões ecológica, social, econômica e tecnológica. Engenharia faz parte do campo das ciências exatas, da capacidade de expressões quantitativas, das predições precisas, dos métodos rigorosos para desenvolver conhecimentos, de testar hipóteses. A exatidão de que dois com mais dois são quatro. Por isso foi difícil você vencer as exigências de um processo, para alguém que não era adepto aos cálculos, fundamentalmente pela matemática e física.
Tudo poderia ser mais fácil se tivesses adquirido a genética de sua mãe, professora de ciências, matemática e física. Mas certamente alguma coisa sobrou dessa hereditariedade para cursar a engenharia.
Superados os desafios, em fim a formatura. E nesse país de desigualdades sociais, de injustiças vergonhosas, de distorções humanas, você é um privilegiado.
No Brasil há quase 14 milhões de analfabetos - pessoas com idade acima de 15 anos de idade que não sabem ler ou escrever. 25% da população são enquadrados como analfabetos funcionais – pessoas que tem no máximo quatro anos de estudo completo, que não desenvolveram a habilidade de compreender textos e de fazer as quatro operações matemáticas. Trata-se de um país em que somente 59 alunos entre 100 conseguem terminar o ensino fundamental. Desses, unicamente a metade, ou seja, 50% chegam ao ensino médio. Na Universidade concluem um curso superior somente 3,4% dos brasileiros. Portanto, nesse país de tantas e fundamentais diferenças, do descalabro educacional, vergonhoso e injusto, todo o brasileiro com curso superior adquiriu esse direito especial e merecido, por que teve a prerrogativa de um estudo privilegiado, algo negado lamentavelmente por exclusão a milhões de brasileiros.
Por tudo isso valeu filho, a formatura, a comemoração. És um privilegiado felizardo entre os poucos mais de 3% de brasileiros que chegam a esse grau de educação.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
O Grêmio e a irmandade
Irmandade significa a comunhão de interesses em ser administrados ou, uma comunidade de ideias comuns, uma confraria com pessoas de mesmas aptidões, uma congregação unida para decidir, uma sociedade cujos membros formam uma agremiação que pode ser esportiva, ou ainda, a fraternidade, o parentesco entre irmãos.
O Grêmio como instituição esportiva tem todos os predicados das significações acima, menos uma, a última, que o prejudicou em duas ocasiões nos seus interesses nas renovações de contratos de dois profissionais.
Fraternidade pode se considerar um conceito filosófico profundamente ligado às ideias de liberdade e igualdade, embora se saiba que as pessoas se organizam em fraternidades com objetivos materiais, religiosos, sociais e etc., se irmanam para isso. Nesse aspecto a irmandade fraternal, o corporativismo de irmãos pelos objetivos materiais (dinheiro) sobrepujou qualquer princípio filosófico. Luta desigual do Grêmio diante de uma irmandade de cinco irmãos. No caso do irmão Jonas, dois defendiam seus interesses: Diego e Tiago. De forma inteligente os três deixaram o tempo passar. No momento oportuno, depois de diversas propostas aceitaram uma. A irmandade esperta se aproveitou de um contrato mal redigido pela direção gremista, em que uma clausula fixava a liberação do jogador em valores irrisórios. Condenar a irmandade por falhas de outrem? Não. Negócio é negócio. O outro irmão, Assis, esse de Ronaldinho, buscou o mercado futebolístico para saber quem pagava mais. O Grêmio esteve no páreo, junto com o Palmeiras, mas o Flamengo levou a melhor. Dizem que as propostas dos três clubes eram semelhantes. Então, porque Flamengo levou vantagem? Talvez em razão de que o representante do Milan, clube ao qual Ronaldinho estava vinculado sentiu maior garantia em receber o dinheiro da liberação em torno de 9 milhões de reais.
Quem sabe também, Ronaldinho preferiu os pagodes, as praias do Rio de Janeiro.
A verdade é de que o Flamengo apresentou um projeto a Traffic – a maior agência de marketing esportivo da América do Sul – que aceitou e ocorreu a contratação do jogador. O Grêmio perdeu uma grande oportunidade de ganhar dinheiro. Somente quando surgiu a hipótese da contratação de Ronaldinho o número de sócios aumentou em mais de três mil, afora outros possíveis negócios. A bem, ainda da verdade, como desculpa ao Grêmio o mercado carioca em termos de patrocínios tem maior vantagem nacionalmente, além do Flamengo possuir a maior torcida do país.
O Grêmio como instituição esportiva tem todos os predicados das significações acima, menos uma, a última, que o prejudicou em duas ocasiões nos seus interesses nas renovações de contratos de dois profissionais.
Fraternidade pode se considerar um conceito filosófico profundamente ligado às ideias de liberdade e igualdade, embora se saiba que as pessoas se organizam em fraternidades com objetivos materiais, religiosos, sociais e etc., se irmanam para isso. Nesse aspecto a irmandade fraternal, o corporativismo de irmãos pelos objetivos materiais (dinheiro) sobrepujou qualquer princípio filosófico. Luta desigual do Grêmio diante de uma irmandade de cinco irmãos. No caso do irmão Jonas, dois defendiam seus interesses: Diego e Tiago. De forma inteligente os três deixaram o tempo passar. No momento oportuno, depois de diversas propostas aceitaram uma. A irmandade esperta se aproveitou de um contrato mal redigido pela direção gremista, em que uma clausula fixava a liberação do jogador em valores irrisórios. Condenar a irmandade por falhas de outrem? Não. Negócio é negócio. O outro irmão, Assis, esse de Ronaldinho, buscou o mercado futebolístico para saber quem pagava mais. O Grêmio esteve no páreo, junto com o Palmeiras, mas o Flamengo levou a melhor. Dizem que as propostas dos três clubes eram semelhantes. Então, porque Flamengo levou vantagem? Talvez em razão de que o representante do Milan, clube ao qual Ronaldinho estava vinculado sentiu maior garantia em receber o dinheiro da liberação em torno de 9 milhões de reais.
Quem sabe também, Ronaldinho preferiu os pagodes, as praias do Rio de Janeiro.
A verdade é de que o Flamengo apresentou um projeto a Traffic – a maior agência de marketing esportivo da América do Sul – que aceitou e ocorreu a contratação do jogador. O Grêmio perdeu uma grande oportunidade de ganhar dinheiro. Somente quando surgiu a hipótese da contratação de Ronaldinho o número de sócios aumentou em mais de três mil, afora outros possíveis negócios. A bem, ainda da verdade, como desculpa ao Grêmio o mercado carioca em termos de patrocínios tem maior vantagem nacionalmente, além do Flamengo possuir a maior torcida do país.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
A desgraça das águas
O município de Petrópolis situa-se a 68 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro, na Serra dos Órgãos, com 840 metros de altitude. Petrópolis possui uma população de um pouco mais de 300 mil habitantes, conhecida também como Cidade Imperial, fundada por D. Pedro II. Conheci como simples turista, curioso pelo seu extraordinário Centro Histórico, do Museu Imperial, além do Palácio de Cristal, do Palácio Quintandinha, antigo cassino. De Petrópolis se percorre 30 quilômetros e se está em Teresópolis. É a mais alta das cidades da região com uma altitude de 870 metros e uma população de um pouco mais de 160 mil habitantes. Turisticamente, a montanha do Dedo de Deus, é o ponto de relevo mais importante.
Nova Friburgo, cidade de colonização suíça, fica distante 60 quilômetros de Teresópolis e a 140 do Rio. Conheci essa cidade não pelo turismo, mas pelo meu envolvimento com o futebol. Duas equipes são tradicionais no futebol local: Friburguense e o Fluminense.
As três cidades ficaram quase completamente destruídas em razão de uma verdadeira avalanche de lama, uma tromba de água que provocou deslizamentos com trágicos resultados, com centenas de vitimas.
A região serrana do Rio é parecida com a serra gaúcha em sua geografia. Por exemplo: as altitudes das cidades serranas fluminenses têm alguns metros a mais em relação a Farroupilha (780 metros). O clima no verão se equivale numa mesma temperatura com a média de 25º graus. No inverno a temperatura mínima na região serrana do Rio é de 10º graus. As distâncias das cidades serranas em relação as capitais se relacionam em quilômetros. Da cidade do Rio de Janeiro à Petrópolis a distância se compara de Farroupilha a Vila Scharlau. Do Rio a Teresópolis é como se ir de Farroupilha até Canoas. Rio de Janeiro até Nova Friburgo distância é pouco maior entre Caxias do Sul e Porto Alegre. No aspecto social outra comparação. Itaipava, distrito de Petrópolis é uma região de belas pousadas e bonitas residências ocupadas em período de férias por abastados cariocas, o que corresponde a Gramado com condomínios luxuosos para satisfação de ricos porto-alegrenses.
No entanto na topografia há fundamental diferença. As cidades serranas do Rio situam-se em vales circundadas por montanhas. Para se ter uma ideia mais clara, as cidades fluminenses poderiam ser comparadas a São Vendelino ou bairro de Galópolis em Caxias do Sul, locais de vales cercados por morros. Felizmente o desmatamento desenfreado, as construções indevidas, por aqui ainda não aconteceu. Não é o caso da região serrana do Rio. Pouco foi preservado com a loucura de construções irregulares. Agora de modo trágico a Natureza faz sua cobrança.
Nova Friburgo, cidade de colonização suíça, fica distante 60 quilômetros de Teresópolis e a 140 do Rio. Conheci essa cidade não pelo turismo, mas pelo meu envolvimento com o futebol. Duas equipes são tradicionais no futebol local: Friburguense e o Fluminense.
As três cidades ficaram quase completamente destruídas em razão de uma verdadeira avalanche de lama, uma tromba de água que provocou deslizamentos com trágicos resultados, com centenas de vitimas.
A região serrana do Rio é parecida com a serra gaúcha em sua geografia. Por exemplo: as altitudes das cidades serranas fluminenses têm alguns metros a mais em relação a Farroupilha (780 metros). O clima no verão se equivale numa mesma temperatura com a média de 25º graus. No inverno a temperatura mínima na região serrana do Rio é de 10º graus. As distâncias das cidades serranas em relação as capitais se relacionam em quilômetros. Da cidade do Rio de Janeiro à Petrópolis a distância se compara de Farroupilha a Vila Scharlau. Do Rio a Teresópolis é como se ir de Farroupilha até Canoas. Rio de Janeiro até Nova Friburgo distância é pouco maior entre Caxias do Sul e Porto Alegre. No aspecto social outra comparação. Itaipava, distrito de Petrópolis é uma região de belas pousadas e bonitas residências ocupadas em período de férias por abastados cariocas, o que corresponde a Gramado com condomínios luxuosos para satisfação de ricos porto-alegrenses.
No entanto na topografia há fundamental diferença. As cidades serranas do Rio situam-se em vales circundadas por montanhas. Para se ter uma ideia mais clara, as cidades fluminenses poderiam ser comparadas a São Vendelino ou bairro de Galópolis em Caxias do Sul, locais de vales cercados por morros. Felizmente o desmatamento desenfreado, as construções indevidas, por aqui ainda não aconteceu. Não é o caso da região serrana do Rio. Pouco foi preservado com a loucura de construções irregulares. Agora de modo trágico a Natureza faz sua cobrança.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Feliz Ano Velho
O grupo de jovens aproveita o sol e calor para se divertir realizando um passeio em local apropriado, nas proximidades de uma cachoeira, a poucos dias da festa de Natal. Marcelo é um deles. Em determinado momento, de farra, exibicionista, avisa aos amigos que saltará numa piscina natural em busca de um suposto tesouro e para isso resolve dar um mergulho no lago. Naquele momento ele vê sua vida se transformar num pesadelo em questão de segundos. O espaço para saltar é amplo em largura, mas de pouca profundidade, um pouco mais de meio metro. O impacto é forte e trágico. A pouca quantidade de água não é suficiente para absorver com segurança o salto. Marcelo se choca com o piso de pedra. Fica tonto e com medo de morrer afogado. O corpo não responde aos movimentos, sente-se inerte, incapaz. Os amigos retiram do local, o conduzem ao hospital. Cirurgia, internamento em U.T.I, vértebra quebrada e irremediavelmente paraplégico. Começou no trágico mergulho a história contada no livro Feliz Ano Velho. De autoria de Marcelo Rubens Paiva - o rapaz do infeliz mergulho – é uma autobiografia, o relato verdadeiro do acidente que o vitimou e marcou toda uma geração de leitores dos anos da década de 80, tornando-se referência na literatura brasileira contemporânea. Marcelo, na juventude de seus 20 anos, esbelto, bonito e saudável tinha um provável futuro prodigioso, uma possível vida admirável, uma existência favorável pela frente. Filho de pais de classe média alta, de bem com a vida, incontáveis namoradas, muitos amigos do seu circulo de vivência, tratava-se de um bon-vivant na acepção correta da palavra, de viver no bem bom.
De repente sente-se recolhido, impotente, condenado a utilizar uma cadeira de rodas para se movimentar. Sempre quis tudo o que queria e a partir do acidente não mais poderia ter tudo como, por exemplo, o desejo de andar, correr, amar e viver plenamente. Ali estava ele fraco e vencido, na dependência dos familiares e amigos.
Foi o segundo trauma de Marcelo. O primeiro aos 11 anos. Viu seu apartamento ser invadido por bandidos travestidos de “agentes da lei” e com isso o “desaparecimento” de seu pai, o deputado federal Rubens Paiva, por ação da ditadura militar.
O acidente de Marcelo, seu segundo trauma, ocorreu dias antes do Natal, portanto um pouco mais de uma semana, para mais um ano terminar. Até antes do fatídico acontecimento para Marcelo havia sido um feliz ano velho, o mesmo não se poderia dizer para o novo ano.
De repente sente-se recolhido, impotente, condenado a utilizar uma cadeira de rodas para se movimentar. Sempre quis tudo o que queria e a partir do acidente não mais poderia ter tudo como, por exemplo, o desejo de andar, correr, amar e viver plenamente. Ali estava ele fraco e vencido, na dependência dos familiares e amigos.
Foi o segundo trauma de Marcelo. O primeiro aos 11 anos. Viu seu apartamento ser invadido por bandidos travestidos de “agentes da lei” e com isso o “desaparecimento” de seu pai, o deputado federal Rubens Paiva, por ação da ditadura militar.
O acidente de Marcelo, seu segundo trauma, ocorreu dias antes do Natal, portanto um pouco mais de uma semana, para mais um ano terminar. Até antes do fatídico acontecimento para Marcelo havia sido um feliz ano velho, o mesmo não se poderia dizer para o novo ano.
Feliz Ano Novo
Cumprimento usual na virada de cada ano entre as pessoas: Feliz Ano Novo. Afora isso, essa costumeira saudação, esse período de tempo, me faz lembrar o conto do Rubem Fonseca, intitulado Feliz Ano Novo contido no livro de contos com mesmo título. Trata-se de um mordaz e realista texto do renomado autor, expondo cruelmente o contraste entre a classe marginalizada, os excluídos socialmente e a burguesia abastada e indiferente, cínica e hipócrita, ao que acontece nos recônditos, onde infesta a vida de indigentes, a sobrevivência de pobres miseráveis. Retrata com fidelidade as desigualdades históricas, revela com aspecto feio e repugnante as distorções e diferenças sociais. Narrado na primeira pessoa, do ponto de vista de um personagem que observa aos movimentos e preparativos para a chegada do Ano Novo, a propaganda intensa para a compra de presentes, roupas de luxo para as grã-finas, as elites saboreando comida e bebida importadas. Já se sabe desde a primeira linha de que, do estrato social, são retirados os protagonistas dessa história. No texto acumula-se o necessário para localizá-los em sua miséria: estão em lugar que cheira mal, entre drogas, bebidas e objetos roubados. São negros, feios, desdentados e analfabetos, ensina o narrador, que é um deles, companheiro de outros dois, Pereba e Zequinha.
O trio decide a realizar um roubo. Escolhe uma mansão onde os bacanas realizam uma sofisticada festa de réveillon. A residência é invadida. Os marginais ficam deslumbrados com o luxo da casa e a comparação é inevitável com o chiqueiro em vivem. Entre outros compartimentos, se deparam com o requinte do banheiro de grande banheira de mármore, num ambiente todo espelhado. Depois de olharem o esplendoroso banheiro, um deles resolve defecar sobre a rica colcha de cetim sobre a cama em um dos quartos, numa demonstração de ter seu significado vinculado ao pretenso desprezo do bandido pelo luxo presenciado. Trata-se de uma vingança social, moral, seja lá o que for. A vida para as pessoas assaltadas começa a valer muito pouco, sucumbidas diante da violência. O título Feliz Ano Novo – somente o título - conduz o leitor a uma falsa interpretação. Porém no decorrer da leitura do conto encontra-se outra realidade, dura e cruel, e outra versão para o título. Isso provoca um choque, pois há um grande contraste, uma profunda ironia, onde o título reflete apenas a alegria dos bandidos.
Depois de assassinatos, estupros e roubos de dinheiro e jóias na residência visada, os bandidos saboreiam comida e bebida também roubadas no indigente lugar onde sobrevivem, desejando entre eles Feliz Ano Novo.
O trio decide a realizar um roubo. Escolhe uma mansão onde os bacanas realizam uma sofisticada festa de réveillon. A residência é invadida. Os marginais ficam deslumbrados com o luxo da casa e a comparação é inevitável com o chiqueiro em vivem. Entre outros compartimentos, se deparam com o requinte do banheiro de grande banheira de mármore, num ambiente todo espelhado. Depois de olharem o esplendoroso banheiro, um deles resolve defecar sobre a rica colcha de cetim sobre a cama em um dos quartos, numa demonstração de ter seu significado vinculado ao pretenso desprezo do bandido pelo luxo presenciado. Trata-se de uma vingança social, moral, seja lá o que for. A vida para as pessoas assaltadas começa a valer muito pouco, sucumbidas diante da violência. O título Feliz Ano Novo – somente o título - conduz o leitor a uma falsa interpretação. Porém no decorrer da leitura do conto encontra-se outra realidade, dura e cruel, e outra versão para o título. Isso provoca um choque, pois há um grande contraste, uma profunda ironia, onde o título reflete apenas a alegria dos bandidos.
Depois de assassinatos, estupros e roubos de dinheiro e jóias na residência visada, os bandidos saboreiam comida e bebida também roubadas no indigente lugar onde sobrevivem, desejando entre eles Feliz Ano Novo.
Assinar:
Postagens (Atom)