domingo, 24 de abril de 2016

Deputados votaram sem convicções

Não poderia ser diferente O SIM ganhar afinal maioria dos deputados chegou a câmara com votos da elitista classe média.

Presenciou-se na declaração de voto que alguns deputados não votaram com plena convicção, mas pensando numa próxima eleição. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

DILMA OU MICHEL

Enquanto no planalto, lá em Brasília, vossas excelências, os deputados pelo povo eleitos, discutem seus interesses políticos pessoais, esse mesmo povo na planície enfrenta inúmeras dificuldades, tenta sobreviver no maldito cotidiano com a insegurança, crianças entre balas perdidas, cidadãos assaltados e assassinados, precário policiamento, dantesca situação flagrada no noticiário policial.
Nas informações do setor econômico os fatos são desconsoladores com o deprimente desemprego, servidores públicos com salário atrasado.
Nossos eleitos debatem, discutem, brigam pelo poder, formam uma verdadeira algaravia numa confusão de vozes e gritos. Lá estão eles, uns querendo ficar no governo, outros com o desejo de chegar ao governo.
Estão divididos em dois ferrenhos grupos: um “não vai ter golpe”, o outro “impeachment já”. Cada qual com cartazes determinando sua preferência. Verdadeiro carnaval em meio a bandeirolas e fitinhas verde-amarelas.
O plenário transformou-se num local despudorado, de plena algazarra. Regras de bom comportamento não são respeitadas. 
Os presentes não condizem com respeitoso tratamento de vossa excelência.  Alteram-se. Um quer falar mais alto que o outro, para isso gritam, há ameaças.
A baderna prossegue. Nessa assembléia seus personagens protagonizam cenas de alunos em recreio na escola: gozações, ofensas, impropérios. É revelada a essência da má-educação, a falta de civilidade pelo comportamento inadequado naquele local que deveria ser de total reverência, um dos poderes da República.
O ambiente pode ser análogo a uma quermesse beneficente onde há prêmios. O governo oferece, negocia cargos desde ministérios até o terceiro escalão. Quem quer ser governo não faz de menos: oferece mamatas futuras.
Na baderna parlamentar tem gente enrolada na bandeira verde-amarela. Um acinte para com um dos símbolos da República. Nesse caso, alguém assim desfraldando a bandeira tenta mostrar pela sua causa, o patriotismo. Segundo o inglês Samuel Johnson “o patriotismo é o último refugio dos canalhas”.
A Câmara Federal tem entre seus representantes gente envolvida com inquéritos judiciais, casos de polícia, começar pelo próprio presidente dessa gente. A comissão especial formada para o processo de impeachment por 65 deputados, 37 tem contas a prestar à Justiça por ações criminais e cíveis.
O Impeachment passou na comissão especial com 58 votos a favor e contra 27. Dos 58 deputados a favor 35, respondem a inquéritos. Dos 27 contra, dois estão sendo investigados.
A Câmara Federal em seu todo tem 160 deputados investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), alvos de inquéritos e ações penais.
Essa gente no próximo domingo é que irá votar e determinar o destino da Nação, estabelecer um novo poder ou não para os brasileiros.
A realidade é que democraticamente temos que aceitar o processo, embora com o sentimento de escracho pela desmoralização da classe política.
                                                               *** ***
- Na há dúvida quanto o favoritismo da turma do “impeachment já”. Assim Michel Temer será presidente, o PMDB de fato governo. Há 24 anos o partido foi governo. Tempo de José Sarney.
- Fica difícil para a Dilma com o voto aberto no plenário vencer a oposição. Como 60% da população desejando impeachment, deputados não irão votar contra seus eleitores.
- Proporcionalidade. Na comissão especial o impeachment foi aprovado
por 38 deputados, ou seja 58% dos votos.. Contra foram 27 percentual de 42%.
Se levarmos em consideração essas porcentagens entre os 513 deputados Dilma fica, com 215 votos, Michel perde com 297. 







terça-feira, 12 de abril de 2016

"Meu Deus do céu": a política segundo segundo ministro do STF

Encontros de temas diversificados, de sentidos acadêmicos variados, alguns de modo específico sistematizado, ocorrem de maneira corriqueira.
Como exemplo, estudantes reunidos com uma personalidade, com eminente autoridade erudita, com pessoa conhecedora de profundos temas gerais ou proposições especificas.
Encontros assim acontecem, ocorrem no anonimato, com discrição, circunspectos e interessantes somente aos participantes.
Assim, um encontro habitual entre muitos, uma vez mais ocorreu. Indiscreto detalhe, um inconveniente problema de som e o encontro de conceito acadêmico, que deveria ser de ordem privada, tornou-se público em razão daquele descuido mecânico, o que provocou intensa repercussão, causou suscetibilidades, mexeu e incomodou a classe política.
O ministro Luis Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal teve um encontro com estudantes bolsistas de uma fundação em dos plenários do STF.
Daquele modo, pelo problema ocorrido, várias perguntas que foram feitas ao ministro e respondidas tornaram-se públicas.
Numa das respostas comentou o ambiente político no país e disse que se tornou “espaço de corrupção generalizada”.  Prosseguiu e comentou: “Quando onteontem se noticiou que o PMDB desembarcara do governo e uma foto mostrava pessoas que erguiam as mãos, olhei e disse “Meu Deus do Céu! Essa é a nova alternativa de poder. Não vou fulanizar mas quem viu a foto sabe do que estou falando”.
Anteriormente disse, afirmou que a política “morreu”. Mais adiante no seu comentário redimiu-se e acrescentou: “Talvez eu tinha exagerado, mas ela está gravemente enferma. Para o ministro “O sistema político não tem o mínimo de legitimidade democrática.Ele tem uma centralidade imensa ao dinheiro e a necessidade de financiamento e ai a corrupção generalizada”.
O ministro não quis determinar, mencionar as pessoas postadas na citada foto do jornal. Mais quem conhece, sabe quem são figuras do PMDB repercutidas em alta relevância por inquéritos jurídicos, casos de polícia.
Aparece como protagonista central o vice-presidente do partido senador Romero Jucá. A “ vossa excelência”  está envolvida com falcatruas concernentes a operação  “Lava Jato”.
Na foto aparece também Eliseu Padilha, que foi ministro e coordenador político da presidenta Dilma, indiciado em diversos inquéritos policiais.
No conjunto dos próceres pemeedebistas mais uma “vossa excelência”, Trata-se do senador Valdir Raupp, investigado pela polícia federal por corrupção .
Mais uma figura investigada pela polícia federal. Trata-se do deputado federal Geddel Vieira Lima envolvido em falcatruas com a empreiteira OAS com promessas de facilidade e aumento de chances em licitações para construção de aeroportos.
Enfim, essa turma e outros acompanhantes de braços erguidos, de maneira cínica e mesquinha  determinou  por aclamação,rapidamente, em três minutos, que o  PMDB  que estava pedindo demissão do governo , depois de um oportunismo aproveitado, das benesses recebidas, durante quase 14 anos “estar no governo” do PT.
Com a certeza da cassação de Dilma todos  eufóricos gritavam “Brasil prá frente, Temer presidente”. Na verdade  PMDB saiu do governo, aproveitando o “fora Dilma”, por uma única vontade: ser governo.
Terá um presidente eleito de modo indireto, afinal ninguém votou em Temer.
Com sete ministérios no governo de Dilma, centenas de apaniguados peemedebistas (militantes e cabos eleitorais)  usufruiram dos chamados “cargos de confiança” e agora estão sendo demitidos. Coisa ruim para uma época de tanto desemprego. Mais não por muito tempo. Temer presidente retornarão aos antigos postos.



terça-feira, 5 de abril de 2016

Manifestação contra Dilma é da elite

Milhares de pessoas em passeatas por logradouros, em diversas cidades, mais uma vez, no domingo 13 de março, participaram. A maioria, predominantemente da raça branca, vestem roupas multicoloridas destacando-se o verde e o amarelo. São trajes de grifes famosas. Usam óculos para o sol, produtos também de marcas conhecidas.
Caminham com toda liberdade, direito que a democracia lhes oferece.
Brados ecoam pelas ruas de “fora Dilma”. São retumbantes os gritos “Lula preso”. Cartazes saúdam o juiz da “Lava jato”. Não se nota qualquer clamor como por exemplo, “queremos emprego” ou “melhor atendimento do SUS”.
Não, não há necessidade dessa contestação. As pessoas dos protestos são seletivas, estão muito bem empregadas, tem planos de saúde privados.
Gente que mora em bairros nobres, panorama de moradores da classe média. Pessoas residentes em lugares sofisticados como Moinhos de Vento em Porto Alegre, que frequentam a avenida Paulista ou moram na requintada zona sul do Rio de Janeiro.
Não há mínima dúvida de que nas manifestações ocorridas contra o governo teve um imensurável contingente formado por um grupo elitizado dominante na sociedade, de estratificação superior.
Pesquisa realizada em São Paulo pelo instituto Datafolha de opinião pública tem dados reveladores do requinte dos manifestantes.
Foram entrevistadas 2.262 pessoas. A descrição dos detalhes econômicos e sociais pesquisados revela o público dominante de alta renda.
- 77% dos manifestantes declararam serem de cor branca. O mesmo percentual diz ter ensino superior completo. É de se frisar que na capital paulista somente 28% tem curso superior. Esses 28% significam gente de baixa renda.
- 26% dos entrevistados recebem de 5 a 10 salários mínimos, valores entre 4.4 mil e 8.8 mil reais. 24% ganham de 10 a 20 salários mínimos, importâncias mais de 8.8 mil a 17.600 reais. Portanto, verifica-se que 50% dos entrevistados recebem salários entre 4.4 mil e 17.6 reais. Existem os mais afortunados. Há os que ganham de 20 a 50 salários mínimos, faixa salarial de mais de 17.6 mil a 44 mil rais. Somam um total de 11%.  Existem aqueles de admirável e invejável faixa salarial. Um total de 2% informou receberem mais de 50 salários mínimos, ou seja, mais de 44 mil reais.
Entre os manifestantes havia gente de salários bem inferiores. Os de menores salários disseram que recebem até dois salários mínimos, entre 880 e 1.760 mil reais, quantidade ínfima de 6%. Mais de dois a três salários mínimos (1.760 mil a 2.640 mil reais) um total de 8%, Mais de três salários mínimos 17% dos informantes.     
- Na escolaridade, ratifica-se, foi apurado que 77% do público entrevistado tem curso superior, 18% curso médio, 4% ensino fundamental.
  Na pesquisa da Datafolha 40% dos manifestantes tinham 51 anos ou mais, o que significa elitizados conservadores. Entre 36 a 50 anos 33%, 26 a 35 anos 19%.
No levantamento de dados do instituto, quanto a faixa etária, chama a atenção a baixa participação de jovens: de 21 a 25 anos 5%, de 12 a 20 anos 4%.
Na manifestação o sexo masculino predominou com 57%. As mulheres foram 43%.
                                                                 *** ***
- Complete a linha pontilhada. Quem estará fora primeiro: D _ _ _A. Dilma ou Dunga.
 - Não vai levar muito tempo. A presidenta Dilma passara a ser dona Dilma. 
- O PMDB que fazia parte do governo, não vai levar muito tempo, será governo.

  




segunda-feira, 28 de março de 2016

Sacrilégio!!! Comungar em pecado mortal?

Sou cristão, católico apostólico romano. Religioso, estou centrado na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo.
Procuro basicamente a observância dos dez mandamentos.
Quase todos os domingos e dias santificados procuro assistir a santa missa
Creio nos dogmas da Igreja, ou seja, nas verdades da fé infalíveis e imutáveis, base da doutrina católica.
Crença adquirida pelo doutrinamento através da catequese, ensinamentos obtidos pelo aprendizado em aulas de catecismo.
Por ser católico praticante fiquei compromissado com os principais sacramentos: batismo, crisma, eucaristia, matrimônio.
Sempre que posso domingos e dias santificados participo do sacrifício da santa missa
Não sou o tipo de cristão tradicional conservador e por ser assim nunca frequentei cursilhos e jamais me envolvi com movimentos carismáticos e ou de Emaús.
Conhecidos afirmam que pela maneira ser, pelo pensamento à esquerda, eu seria comunista. Trata-se de um paradoxo. Cristão não é comunista ou vice-versa.
Nessa condição, evitando o contrassenso, mas firme no pensamento progressista, de forma mais amena, digamos então que ideologicamente sou um socialista.
Assim sendo, sou simpatizante da igreja progressista, desde jovem quando no Rio de Janeiro fiz parte da Ação Católica, que tinha liderança de Dom Helder Câmara.
Além de Dom Helder, por essa ideologia, outros meus gurus: Dom Paulo Arnst, Frei Beto, Leonardo Boff.
A chamada esquerda eclesiástica desde a Ação Católica Brasileira passou por outros momentos principalmente pelo movimento da Teologia da Libertação, que determina a opção da preferência pelos pobres através das Comunidades Eclesiais de Base.
Pois bem. Na verdade essa crônica no seu texto inicial é o intróito, precípua para se chegar ao finalmente. Até onde eu quero chegar com esse texto foi essencial escrever sobre a vida pregressa cristã.
Mencionei a igreja progressista como modelo, para meu entendimento, como ideal.
Porém num aspecto especial, como finalmente a discutir o texto, sou conservador.
Chama a minha atenção há muito tempo não se encontrar mais no interior das igrejas os confessionários. Pelo jeito ninguém mais se confessa.
Aprendi pelo catecismo: pecado venial e pecado mortal. Vai comungar a necessidade da pureza, sem pecado. Cometido o pecado venial (exemplo, pregar o santo nome de Deus em vão), ato de contrição rezado, absolvido, puro. Pecado mortal (exemplo, faltar a missa ao domingo), necessidade da confissão ao sacerdote.
Faltei a missa. Busco na secretaria paroquial informação para a confissão para me redimir do pecado. Exponho para uma senhora minha pecaminosa situação. A senhora que me atende diz: “Não precisa de confissão. Arrependimento e ato de contrição”.
Informo que eu estou em pecado mortal. Ela pergunta: “Matou alguém?”.  Não, respondo. Faltei as missas. Sem qualquer resposta, de qualquer forma mantenho minhas convicções. Há muitos anos não posso usufruir do sacramento da eucaristia, por uma ideia, por um sentimento talvez retrogrado. Prefiro assim para não cometer sacrilégio.
Fato. Missa que precede ao batizado da minha neta. Momento da comunhão. Forma-se a fila para receber a hóstia consagrada. Vejo, observo. Na fileira muita gente conhecida. Conhecidos, que eu sei que somente assistem missas de casamento, batizado e ou de sétimo dia. Todos comungam. Para mim, no meu pensamento, quem sabe anacrônico, são todos sacrílegos.




  








Coxinha X Petralha

Segunda-feira. Um dia depois do domingo de manifestações públicas.
Dois amigos ocasionalmente se encontram. Tem vidas completamente diferentes, socialmente e economicamente. Amigos desde a infância em determinado bairro.
Eles têm condição e estilo de vidas inversas e como causas diferenciais as oportunidades oferecidas para estudar.
O primeiro amigo estudou. A família é possuidora de recursos financeiros confortáveis. Estudos básicos, depois graduados. O curso superior lhe deu conhecimento para prestar concurso público, ser aprovado como servidor público no governo federal.
O segundo amigo, sem qualquer preconceito, em relação ao que está escrito -  simplesmente ser segundo é por uma questão de ordem no texto - não teve ocasião favorável para os estudos imposta, claro, por circunstância financeira oposta ao primeiro amigo. Estudo... ensino fundamental e médio. O estudo mais adiantado resumiu-se a um curso profissionalizante, que oportunizou trabalho como operário na indústria metalúrgica. Sujeito tipicamente proletário.
Os amigos encontraram-se na segunda-feira. Cumprimentaram-se. Troca de gentilezas. Como vai? Como está? Lembranças rápidas. Em seguida início de um diálogo que envolve os acontecimentos do dia anterior, domingo.
A conversa começa pelo p­rimeiro amigo.
- Estou em plena ressaca.
O segundo amigo replica com ironia.
- Andou bebendo “umas e outras” e pelo seu estilo de vida deve ter sido um porre de whisky importado.
- Não, nada disso. A minha ressaca é por aquela manifestação democrática contra o estado de coisas que passa o país.   
- Amigo, não leva a mal. Não estou sabendo de coisa nenhuma.
O amigo, o primeiro, ficou aparvalhado com a “ignorância” do amigo segundo.­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­
- Você não anda pelas ruas? Não observou nenhuma movimentação diferente?
De fato o amigo não viu nada que lhe pudesse chamar a atenção. Mora numa rua num bairro da periferia.
- Não, não vi nada. Onde moro foi mais um domingo modorrento igual a tantos outros. Tudo acontece igualzinho. Eu por exemplo. Vou até a lanchonete antes do almoço. Lá enquanto converso com os amigos, num martelinho bebo um “rabo de galo”. Vou para casa, preparo o churrasquinho para família. Assim, não vi nenhuma passeata.
- Churrasquinho, nada mal. Comer uma boa picanha num domingo é bem legal.
- Amigo... picanha coisa nenhuma. Fui ao supermercado e comprei numa promoção coxinhas de galinhas. Churrasquinho baratinho. Bem assadinhas as coxinhas estavam saborosas. Com apetite, com tremenda fome devorei as coxinhas.
- Pois bem. No seu bairro nada aconteceu de diferente. Mas você não houve rádio?
- Claro que ouço. Adoro escutar aquelas bandinhas alemãs na rádio Imperial.
- Você não é analfabeto. Deve ler jornal.
- Sim, como não. Acompanho sempre o noticiário esportivo e policial.
- E televisão. Não vê televisão?
- Quem é que não vê. Evidentemente que assisto. Domingo por exemplo. Vi o jogo do Internacional e depois, em seguida, assisti o programa do Silvio Santos.
O papo terminou. Despediram-se. Lembranças. Abraços.
No dialogo observa-se claramente o posicionamento político do primeiro amigo, conservador, à direita, ou seja, conhecido coxinha.
Quanto ao segundo amigo não se pode definir seu posicionamento ideológico por suas palavras com um viés de ironia, dúbias,  por um pensamento enigmático.
Pode ser um petralha dissimulado, ou simplesmente um alienado político social.  




quarta-feira, 23 de março de 2016

Manifestação elitizada da direita reacionária

Segunda-feira. Um dia depois do domingo de manifestações públicas.
Dois amigos ocasionalmente se encontram. Tem vidas completamente diferentes, socialmente e economicamente. Amigos desde a infância em determinado bairro.
Eles têm condição e estilo de vidas inversas e como causas diferenciais as oportunidades oferecidas para estudar.
O primeiro amigo estudou. A família é possuidora de recursos financeiros confortáveis. Estudos básicos, depois graduados. O curso superior lhe deu conhecimento para prestar concurso público, ser aprovado como servidor público no governo federal.
O segundo amigo, sem qualquer preconceito, em relação ao que está escrito -  simplesmente ser segundo é por uma questão de ordem no texto - não teve ocasião favorável para os estudos imposta, claro, por circunstância financeira oposta ao primeiro amigo. Estudo... ensino fundamental e médio. O estudo mais adiantado resumiu-se a um curso profissionalizante, que oportunizou trabalho como operário na indústria metalúrgica. Sujeito tipicamente proletário.
Os amigos encontraram-se na segunda-feira. Cumprimentaram-se. Troca de gentilezas. Como vai? Como está? Lembranças rápidas. Em seguida início de um diálogo que envolve os acontecimentos do dia anterior, domingo.
A conversa começa pelo p­rimeiro amigo.
- Estou em plena ressaca.
O segundo amigo replica com ironia.
- Andou bebendo “umas e outras” e pelo seu estilo de vida deve ter sido um porre de whisky importado.
- Não, nada disso. A minha ressaca é por aquela manifestação democrática contra o estado de coisas que passa o país.   
- Amigo, não leva a mal. Não estou sabendo de coisa nenhuma.
O amigo, o primeiro, ficou aparvalhado com a “ignorância” do amigo segundo.­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­
- Você não anda pelas ruas? Não observou nenhuma movimentação diferente?
De fato o amigo não viu nada que lhe pudesse chamar a atenção. Mora numa rua num bairro da periferia.
- Não, não vi nada. Onde moro foi mais um domingo modorrento igual a tantos outros. Tudo acontece igualzinho. Eu por exemplo. Vou até a lanchonete antes do almoço. Lá enquanto converso com os amigos, num martelinho bebo um “rabo de galo”. Vou para casa, preparo o churrasquinho para família. Assim, não vi nenhuma passeata.
- Churrasquinho, nada mal. Comer uma boa picanha num domingo é bem legal.
- Amigo... picanha coisa nenhuma. Fui ao supermercado e comprei numa promoção coxinhas de galinhas. Churrasquinho baratinho. Bem assadinhas as coxinhas estavam saborosas. Com apetite, com tremenda fome devorei as coxinhas.
- Pois bem. No seu bairro nada aconteceu de diferente. Mas você não houve rádio?
- Claro que ouço. Adoro escutar aquelas bandinhas alemãs na rádio Imperial.
- Você não é analfabeto. Deve ler jornal.
- Sim, como não. Acompanho sempre o noticiário esportivo e policial.
- E televisão. Não vê televisão?
- Quem é que não vê. Evidentemente que assisto. Domingo por exemplo. Vi o jogo do Internacional e depois, em seguida, assisti o programa do Silvio Santos.
O papo terminou. Despediram-se. Lembranças. Abraços.
No dialogo observa-se claramente o posicionamento político do primeiro amigo, conservador, à direita, ou seja, conhecido coxinha.
Quanto ao segundo amigo não se pode definir seu posicionamento ideológico por suas palavras com um viés de ironia, dúbias,  por um pensamento enigmático.
Pode ser um petralha dissimulado, ou simplesmente um alienado político social.