terça-feira, 19 de junho de 2018

O vinho brasileiro não é bom


Dirceu Viana é um brasileiro radicado em Londres. Tem o título de Master of Wine concedido por uma instituição britânica, com o reconhecimento de ser um dos maiores experts em vinho do mundo e que participou do evento Vinhos de Portugal em São Paulo e Rio. Entrevistado por uma revista de circulação nacional foi perguntado: “Já provou um bom vinho brasileiro”. Reposta: “Defina bom”. Repórter: “O especialista na definição de vinhos é você... Frase não terminada, de imediato disse:
- Ok. Um vinho brasileiro bom. Hum...Eu e você sentamos, estamos comendo uma pizza e então você me pede: “Pede um bom vinho brasileiro.” Eu consigo encontrar, os do Flávio Pizzato, por exemplo, mas não existem grandes vinhos brasileiros.

Imigração Italiana: polêmica


O município de Santa Tereza, localizado na região serrana do estado do Espírito Santo, recebeu uma honraria em âmbito nacional no que diz respeito ao processo imigratório italiano. O governo federal reconheceu Santa Tereza como a primeira cidade fundada por imigrantes italianos no país. Foi a partir de uma lei promulgada em janeiro desse ano e, por ela, foi instituído no calendário oficial o dia 26 de junho como “Data de Reconhecimento do Município de Santa Tereza como Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil”.
Oficialmente a imigração italiana teve início no Brasil em 1875, mais exatamente no dia 31 de maio. Naquela data, os imigrantes italianos em número de 150 famílias desembarcaram do navio Rivadávia e foram encaminhadas à localidade de Santa Leopoldina. Dali, 60 famílias seguiram para Timbui, distrito do município de Fundão (hoje faz parte da rota turística “Caminho dos Imigrantes”), quando em data de 26 de junho de 1875 (por isso a Data do Reconhecimento) foram contempladas com lotes territoriais numa pequena vila que desenvolveu-se rapidamente e da vila, no longínquo ano de 1891 surgiu o município de Santa Tereza. Os imigrantes vieram das regiões do norte da Itália como Trento, Veneto e Lombardia. Dedicaram-se a cultura do café e cereais como também da videira e bicho da seda. Santa Tereza tem quase 25 mil habitantes, com 90% descendentes de italianos, na Serra da Mantiqueira, quase 700 metros acima do nível do mar, conhecida como Terra dos Colibris.
A data do reconhecimento como Santa Tereza, primeira cidade da imigração italiana causou polêmica, controvérsia surgida pela contestação, pelo questionamento dos catarinenses, especialmente do município de São João Batista, que segundo historiadores merece aquela honraria. Afirmam ser um equívoco o privilégio atribuído à Santa Tereza.  
Trata-se de uma atribuição enganosa já que a titulação pertence a antiga Colônia Nova, hoje município de S.J. Batista, colônia fundada em 1836 no Vale do Rio Tijuca, foi ali, naquele vale que 132 imigrantes dos 186 que aportaram no porto do Desterro, baia norte da ilha de Santa Catarina (Florianópolis), embarcados no navio Correio. Assim, por datas históricas, os italianos chegaram ao porto de Vitória quase 38 anos depois.
Celeuma consumada. Catarinenses, segundo eles, pela gafe histórica irão buscar seus direitos junto aos órgãos competentes, movimento que tem o nome de “SC requer a correção de erro histórico”


sábado, 9 de junho de 2018

Garantismo ou gilmando (de Gilmar)_


Garantismo vem do verbo garantir que significa tornar seguro, assegura o cumprimento de uma obrigação, tutela algo, ou seja, oferece proteção àquilo que está afirmado. No contexto jurídico se vincula ao estado de direito, modelo jurídico destinado a limitar e evitar arbitrariedades, asseverar o que está escrito na Constituição. Trata-se da linha mestra para dar eficácia aos direitos constitucionais, porém pode gerar certa confusão entre pessoas e propaga-se que tal teoria visa a proteção de criminosos do “colarinho branco”, servir de resguardo para o obscurantismo envolvendo, por exemplo, corrupção. Diante disso um juiz garantista pode estar dependente, encontrar-se em absoluta sujeição aos princípios fundamentais da legalidade estrita.
Dito isso, fica a devida explicação para a leitora Ligia de Porto Alegre e muito mais, o envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal protagonista das ideias encandeadas no texto acima redigido.
O juiz “garantista” Gilmar Mendes (STF) é o personagem envolvido em muita polêmica, bonzinho e caridoso com por suas atitudes judiciais com certas pessoas do crime organizado, diríamos estatal, pertencentes a diversos quadrilhões.
Suas escalafobéticas atitudes tem o epiteto de “gilmando”, motivos não faltam para tal. O jurista e professor aposentado de direito da Universidade de São Paulo (USP) Modesto Carvalhosa registra alguns e por isso mesmo pede impeachment para Gilmar:
- Gilmar teve inúmeros encontros privados com o presidente Temer fora da agenda oficial na calada da noite
- Gilmar como um soldado do PSDB, a despeito de ser relator de quatro inquéritos contra Aécio Neves, aceitou dele um pedido para determinada orientação concernente a projeto de lei de abuso de autoridade, claro que lhe beneficiaria
- Gilmar, desprezando o fato de que sua atual mulher, que trabalha no escritório que defendia os interesses de Eike Batista mandou libertá-lo da prisão.
- Gilmar por três vezes livrou do cárcere Jacob Barata, milionário do transporte cuja filha se casou com de Guiomar Mendes, mulher de Gilmar.
- Gilmar mandou soltar presidente das empresas de transporte no RJ, como também o ex- presidente da Assembleia Legislativa do MT.
- Gilmar votou (deveria se mostrar impedido) no processo da delação premiada do grupo J&F, a despeito de ter recebido patrocínio de 2,1 milhões de reais da JBS, do mesmo grupo.
Gilmar recentemente prosseguiu com sua benesses judiciais, livrando da prisão dois envolvidos na operação Pão Nosso, parte da Lava Jato no RJ; o operador do MDB e mais quatro investigados na Operação Rizoma também no RJ foram libertos da prisão; concedeu habeas corpus para Paulo Preto acusado de ameaças a testemunhas e de ter desviado 100 milhões de reais para a campanha do PSDB.
Algumas bondades foram feitas ainda por Gilmar, quando presidente do STF, por exemplo, escandalosamente livrou da cadeia Daniel Dantas, envolvido na operação Satiágraha.
Por tudo isso Gilmar é muito criticado talvez por ser demasiadamente garantista ou continuar “gilmando”

Copa do Mundo: 21ª edição


Começa na próxima semana a 21ª edição da Copa do Mundo ou, mais um campeonato mundial de futebol, desta feita na Rússia, a primeira a ser realizada no leste europeu, depois da primeira realizada no Uruguai, na América do Sul em 1930, portanto 88 anos depois.
O maior país do mundo foi escolhido pela FIFA como sede da Copa do Mundo no ano de 2010. Os russos foram definidos diante da pretensão de outros países como a Inglaterra, Portugal/Espanha, Holanda/Bélgica. A competição terá participação de 32 países num total de 64 jogos, que serão disputados em 11 cidades e 12 estádios.
Quando afirma-se que foi na Inglaterra, país em que o futebol foi inventado há muita controvérsia. Na verdade foi naquele principal país da Grã-Bretanha (em razão disso locutores e comentaristas chamavam antigamente o futebol de “esporte bretão”), onde iniciou-se a organização de sua prática com a formalização de regras, um total de 17, impostas e obedecidas e assim sistematizando os jogos, seus métodos de disputa.
Há conceitos históricos de que o futebol, ou algo parecido, surgiu em época primitiva, nos primórdios, algo a mais de dois mil anos. Conta-se que japoneses e chineses iniciaram a prática futebolística. Há contestação: afirma-se que na antiguidade os gregos, como também os romanos no império de Roma, costumavam bater uma bolinha com os pés. Indiferente a polêmica histórica, a contumaz divergência, a certeza e de que os ingleses no século 19, criaram a primeira associação de futebol com o intuito de unir, popularizar o esporte praticado em escolas e universidades.  Com o futebol difundido mundo afora transformou-se no esporte coletivo mais disputado no mundo.
Decididamente e principalmente o crescimento do futebol em nível mundial foi motivado pela criação em Paris em 1904 da Federação Internacional de Futebol Associação que passou a ser conhecida pelo acrônimo de FIFA – são 208 pais associados, na ONU são 192. Durante um congresso da entidade foi formalizada ideia de um evento, de um torneio internacional de futebol e assim a primeira Copa do Mundo acabou sendo disputada em 1930 no Uruguai. A escolha do país da América do Sul como sede do torneio ocorreu em homenagem as suas conquistas de campeão olímpico de futebol no anos de 1924 e 1928. As disputas internacionais futebolísticas ocorriam pela realização do Jogos Olímpicos, a partir de 1930 ocorreram competições exclusivas organizadas pela FIFA, denominadas popularmente de Copa do Mundo. Na primeira (1930, Uruguai) os jogos, a maioria, foram disputados no estádio Centenário, ficando assim conhecido em razão dos 100 anos de comemoração a Constituição daquele pais. Um total de 13 países participaram do evento - quatro da Europa, sete da América do Sul e dois da América do Norte. O jogo final reuniu as equipes do Uruguai e da Argentina. Com a vitória dos uruguaios por 4x2 o time da camisa celeste, em razão das cores da bandeira, o Uruguai sagrou-se o primeiro campeão mundial de futebol.
Mais 20 Copas do Mundo foram disputadas, duas no Brasil de tristes recordações conhecidas como “maracanaço” e “mineiraço”. A primeira realizada no Maracanã com a inominável e surpreendente derrota de 2x1 para o Uruguai em 1950. Em 2014, a segunda no Mineirão com a acachapante goleada de 7x1 diante da Alemanha.

sábado, 26 de maio de 2018

Santuário de Caravaggio na Itália


Perto de Bergamo, na Itália, há um lugarejo chamado Caravaggio. Em princípios do século XV havia nessa cidade uma jovem chamada Joanete ou Joaninha. Desde criança tinham uma grande devoção à Virgem Santíssima. Embora preferisse consagrar sua virgindade a Deus, atendendo um pedido do pai, optou pelo casamento com um tal Francisco Varoli. Entretanto, na pessoa do seu marido, Joanete encontrou um verdadeiro algoz que constantemente a afligia com injúrias, ameaças e pancadas. No dia 26 de maio de 1432, depois de ter sido maltratada mais do que nunca, foi obrigada a procurar pasto para animais domésticos. Aflita e cansada a jovem dirigiu-se um prado chamado Mezzolengo, a dois quilômetros de Caravaggio e começou a segar as gramíneas. Quando foi ajuntar o pasto que cortara viu que não dava para levá-lo numa única viagem e para fazer duas não haveria tempo suficiente, pois já era a boca da noite. Temendo a ira do marido, cheia de aflição caiu por terra e de joelhos reza para aquela que é Mãe dos Aflitos. No meu da oração lhe apareceu Nossa Senhora, augusta Rainha dos Céus, toda vestida de azul com um véu branco sobrea cabeça que lhe servia de manto. Diz a santa, tenhas ânimo, suas orações foram ouvidas e grande recompensa te espera lá no céu. Ouve-me e repita minhas palavras a todos que encontrar. Concluindo suas palavras N. Sra. Senhora desapareceu e Joaneta debandou em direção à Caravaggio noticiando o acontecimento e multidões apareceram ao privilegiado lugar. Toda essa devoção a Nossa Senhora foi trazida por imigrantes italianos até Caravaggio em Farroupilha.  

Caravaggio: a construção do novo santuário


Essa era a manchete do jornal “A Gazeta” do dia 26 de maio de 1955. Uma edição especial, exclusiva sobre a festa e romaria de Nossa Senhora de Caravaggio. A reportagem inicia-se com fatos históricos afirmando que em 1879 começou a devoção à Virgem Maria de Caravaggio diante de um oratório. Pela fé, pelo aumento de devotos, a necessidade da construção de uma igreja e assim aconteceu 11 anos depois, em 1890. Já naquela época eram creditados inúmeros milagres a santa, fato que provocava a cada ano um aumento considerável de romeiros, principalmente a partir do ano de 1925. Segundo o padre Olívio Bertuol em 1948 a imagem da virgem, em memorável procissão, foi levada de Caravaggio à Caxias do Sul. Por esse fato, no ano seguinte (1949), houve consubstanciado aumento de peregrinos, somando naquele ano aproximadamente 35 mil. O antigo santuário tornou-se pequeno pela grandiosidade do evento religioso a cada ano, em 26 de maio. Havia a necessidade de um templo novo e assim aconteceu, uma construção que demorou 18 anos para ser concluída (1945/1963). Segundo, ainda o padre Bertuol, pelos poucos recursos financeiros a obra demorou tanto tempo. O santuário foi concluído por ofertas de romeiros, doações da população em geral. Como incentivo, como uma recompensa, os doadores tinham o nome constado no livro de Ouro de Benemerência do Santuário. Para donativos de 100 cruzeiros oferta de um Diploma de Benemerência. Esmolas de mil cruzeiros o doador recebia Diploma, nome no Livro de Ouro e uma Medalha de Honra.



Caravaggio: 100 anos de um milagre


Dias 2 de fevereiro e 26 de maio são as duas festas que levam milhares de peregrinos ao Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio. Verdadeiras apoteoses de fé e penitência atingindo as raias do indescritível para um lugarejo como Caravaggio, 1º Distrito de Farroupilha.
O santuário naqueles dias, templo da graça e perdão, acolhia os peregrinos vindos a demonstrar a sua virgem, devoção e gratidão.
Como já frisamos acima as duas são festas tradicionais que se realizam todos os anos em veneração a Nossa Senhora de Caravaggio em seu santuário. A festa do dia 26 maio, mais famosa e conhecida, sabe-se de sua origem e devoção. A festa do dia 2 de fevereiro é menos conhecida, festejada e realizada sem grande afluência de peregrinos comparada a do dia 26 de maio.  A festa do dia 2 não tem a grandeza daquela festejada em maio, mas no seu dia festivo consegue reunir um respeitável número de devotos.
A data de 2 de fevereiro e sua comemoração, originou-se da seguinte forma: parecendo um castigo para alguma pena a pagar, longa seca vinha mortificando, verdadeiro flagelo, a zona colonial italiana nos fins do ano de 1917 e princípio de 1918.  Depois de tanto esperar – foi longa e amarga espera - unidos os colonos lembraram-se de recorrer a Nossa Senhora de Caravaggio, de quem tantas graças haviam alcançado e estavam certos que tão boa mãe os atenderia também desta vez. Realizaram imponente procissão e levaram junto a imagem da Santa Virgem e, então, caiu inacreditavelmente verdadeira torrente de água com determinada fúria pelos elementos desencadeados, pela fé demonstrada. Era o dia 2 de fevereiro e dessa data originou-se mais uma festa votiva de Nossa Senhora de Caravaggio para que todos os anos fosse lembrada pela chegada da chuva, verdadeiro milagre na época para os fiés e fervorosos devotos. Assim, no ano de 1918, as agruras vencidas, a tenacidade pela fé e devoção. A seca, a chuva: nesse ano da graça de 2018, 100 anos de comemorações de um milagre.
A mesma história, anos diferentes
Os dados históricos correlatos a data de 2 de fevereiro foram obtidos junto a um artigo publicado no jornal “A Gazeta”, órgão da União Farroupilhense de Estudante, periódico mensal, na edição do mês de fevereiro de 1955, autoria de alguém de codinome Beno. Acredita-se que Beno tratava-se do escritor e historiador farroupilhense Benito José Fattori. Concomitantemente, o mesmo acontecimento, com exatos detalhes ocorridos em 1918, com somente uma diferença que é em relação ao ano ocorrido: o milagre da chuva aconteceu no ano de 1899.