quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Eleitorado farroupilhense e as comparações

 O eleitorado brasileiro tem suas diferenças em suas diversas regiões, que são poucas na verdade, mas que permite fazer comparações. Assim sendo, podemos estabelecer diferenças e fazer comparações do eleitorado farroupilhense com o gaúcho e brasileiro, através de percentuais.

O eleitorado
São 142.467.862 brasileiros que estão aptos a votar em outubro. No Rio Grande do Sul 8.392.033, em Farroupilha 53.179, com 0,373% do eleitorado brasileiro e 0,634% do gaúcho.
Pelo sexo, assim se distribui o eleitorado, com predomínio das mulheres:
Sexo                          Brasil                                      R.G. Sul                              Farroupilha Masculino           68.104.171 (47,80%)        4.015.924 (47,85%)              25.823 (48,56%)
Feminino             74.248.667 (52,12%)        4.376.109 (52,15%)              27.356 (51,44%)

Estado civil
O eleitor solteiro predomina no todo o cenário nacional  

Estado civil

            Brasil

       R.G. Sul

         Farroupilha
Solteiro
            64,07%
       58,96%      
              58,63%
Casado
            31,05%                
       34,99%
               36,68%
Viúvo
              1,75%
          2,04%
                 1,32%
Separado judicialm.
              1,13%
          2,08%
                 1,93%
Divorciado
              1,86%
          1,84%
                 1,24%
Não informado
              0,13%
          O,08%
                 0,03%
  
As mulheres, muito mais que os homens, casam e por isso, enviúvam e separam-se bem mais.
                                          Brasil                                       R.G. Sul                                 Farroupilha   
E. Civil
   Homens
  Mulheres
   Homens
  Mulheres
   Homens
 Mulheres
Solteiro        
     50,98%
      48,99%
     51,92%
     48,08%
      53,56%
      46,44%
Casado
     44,26%
      55,67%
     44,30%
      55,70%
      43,63%
      56.37%
Viúvo
     15,85%
      84,05%
     16,31%
      83,69%
      13,44%
      86,56%
Sep. Jud.
     38,72%
      61,22%
     37,17%
      62,83%
      30,07%
      69,93%
Divorciado
     34,04%
      65,94%
     32,25%
      67,85%
       24,55%
      75,45%



Faixa etária
A maior parte do eleitorado brasileiro está na faixa etária de 45 a 59 anos

16 anos
0,34%
0,22%
0,24%
17 anos
0,81%
0,58%
0,68%
18 a 20 anos
6,17%
5,30%
5,67%
21 a 24 anos
8,83%
7,96%
8,21%
25 a 34 anos
              23,29%
            21,04%
            22,42%
35 a 44 anos
              19,87%
             18,17%
            19,28%
45 a 59 anos
              23,64%
             26,10%
             27,13%
60 a 69 anos
                9,44%
             11,49%
               9,37%
      70 a 70 anos
                4,93%
               6,03%
               4,85%
Superior 79 anos
                2,67%
               3,11%
               2,17%

O eleitorado feminino é predominante principalmente nas faixas etárias mais avançadas.
                                                         Brasil                                R.G. Sul                          Farroupilha
Faixa etária
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
16 anos
 47,78%
   52,22%
 47,76%
  53,24%
45,24%
54,76%
17 anos
 48,06%
   51,94%
 48,47%
  51,53%
51,38%
 48,62%
18 a 20 anos
 49,52%
   50,48%
 49,22%
  50,78%
49,68%
 50,31%
21 a 24 anos
 49,43%
   50,57%
49,88%
  50,12%
 50,90%
 49,90%
25 a 34 anos
48,62%
   51,38%
 49,29%
  50,71%
 49,63%
 50,37%
35 a 44 anos
48,05%
   51,95%
 48,76%
  51,24%
 49,24%
 50,76%
45 a 59 anos
47,36%
   52,49%
 47,98%
  52,02%
 48,51%
 51,49%
60 a 69 anos
46,32%
   53,47%
 46,48%
  53,52%
 47,14%
 52,86%
70 a 79 anos
44,63%
   55,11%
 43,00%
  57,00%
 43,31%
 56,44%
Superior a 79 anos
44,53%
   55,08%
 38,70%
  61.33%
 37,52%
 62,48%

Grau de Instrução
De modo geral o eleitor brasileiro tem como instrução básica o ensino fundamental incompleto.

Grau de Instrução

            Brasil

       R.G. Sul

         Farroupilha
Analfabeto
            5,19%             
          2,67%
                1,23%             
Lê e escreve
          12,10%               
          5,81%
                2,73%
Ens. Fund. Incomp.
          30,27%           
         36,75%
              40,02%
Ens. Fund. Compl.
            7,21%       
           9,83%
                9,70%
Ens. Médio Incom.
           19,28%
          19,88%
               20,47%
Ens. Médio Comp.
           16,66%
          14,81%
               17,18%
Sup. Incompleto
             3,63%
            4,95%
                 5.06%
Sup. Completo
             5,56%
            5,26%
                 3,59%
Não informado
             0,08%
            0,05%
                 0,02%

A mulher apresenta o maior grau de analfabetismo. Em compensação é ela que tem os maiores índices de instrução em grau superior.
                                          Brasil                                       R.G. Sul                                 Farroupilha   
 Instrução
   Homens
  Mulheres
   Homens
  Mulheres
   Homens
 Mulheres
Analfabeto       
     47,12%
     52,76%
     43,98%
     56,02%
      38,26%
      61,74%
Lê, escreve
     50,48%
     49,13% 
     47,82%
      52,18%
      46,55%
      53,45%
EF Incomp.
      50,92%
      49.03%
      50,76%
      49,24%
      50,85%
      49,14%
EF Comple.
      49.33%
       50,62%
      49,23%
      50,77%
      50,58%
      49,42%
EM Incom.
      48,09%
       51,90%
      48,77%
      51,23%
      51,51%
      48,49%
EM Compl.
      42,39%
       57,58%
      43,58%
      54,42%
      44,22%
      55.78%
Sup. Incom
      45,01%
       54,97%
      44,88%
      55,12%
      39,93%
      60,07%
Sup. Comp.
      40,72%
       59,25%
      38,39%
       61,61%
      38,73%
      61,27%



Marina e a Nova Política. Será?

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) é uma agremiação política fundada sob a égide programática e doutrinária do pensamento político à esquerda, da ideologia socialista democrática. Partido de autenticidade socialista nos seus primórdios, da sua fundação, entre tantos como João Mangabeira, Sergio Buarque de Holanda, históricos, legítimos e legalizados socialistas.
Na atualidade o PSB parece fugir do seu sistema filosófico, político e econômico em que o Estado é preponderante. No momento demonstra estar inclinado ao capitalismo, ao empresariado do agronegócio, das lavouras com transgênicos, a privatização de estradas com cobrança de pedágios.
Por quais razões e motivos desconhecem-se. Porém há uma certeza nessas questões: o poder estatal, o socialismo para o bem da população perdeu para os interesses capitalistas, quem sabe por algo escuso jamais explicado.
Rede de Sustentabilidade deverá ser um partido (falta sua regularização junto a Justiça eleitoral) fundado por Marina Silva e o grupo de militância Movimento Nova Política. Trata-se de um partido que não se considera de direita ou esquerda, na verdade de forma tão solitária e individual, pode-se dizer é o partido de Marina, do qual é dona.
Nada mais comprova isso que a situação política atual. Marina é candidata a presidente pelo PSB, na vaga infausta de Eduardo Campos. No entanto, Marina sem necessitar de uma causa funesta, se o seu partido Rede Sustentabilidade tivesse sido registrado, seria ela a candidata em primeira mão, não precisando do PSB.
A regularização da agremiação tratava-se somente de uma questão pró-forma, uma formalidade para cumprir junto a legislação eleitoral, algo convencional e obrigatório em eleições, porque na verdade Marina é ela mesmo, única e personalíssima, sem precisar de partido. Marina vai ser presidente pelo PSB, por oportunismo, provocado por uma consequência trágica. Na verdade assim como o PSB, poderia ter sido qualquer outro partido, ela candidata. Ou será presidente pelo Rede?
Marina e o Movimento Nova Política, tem como objetivo, construir com mudanças políticas, culturais, sociais, éticas, humanas, renovar a sociedade brasileira, com uma nova política.
Mas, de que forma, se esses propósitos tão auspiciosos e renovadores vão de encontro as posições contraditórias da líder Marina Silva.
Observem bem, se há condições para a “nova política”.
Marina está aliada, tem candidatura proporcionada por um partido que está mais próximo do posicionamento de centro-direita, que renegou sua antiga ideologia socialista. Marina, ministra do meio ambiente, tinha como doutrina a defesa ecológica, o desmatamento para aproveitamento do agronegócio. Firmou posição contra os produtos transgênicos. Foi contrária ao tratamento médico proporcionado pelas células-tronco. Porém. mudou tudo por interesses políticos, partidários e eleitoral. Ah... a “nova política”.
Por ser evangélica era contrária a criminalização da homofobia. Como candidata fez uma revisão em relação a sua anterior posição, atendendo as lideranças partidárias: passou a apoiar a criminalização, firmou um compromisso de defesa dos direitos da população homossexual.
A “nova política” será que é assim? Muda de posicionamento a cada momento.  Recentemente a situação de apoio aos homossexuais inverteu-se. Por força de pronunciamentos, por pressão de um pastor homofobo, o texto favorecendo homossexuais foi retirado e agora é contra a criminalização pela homofobia
Pressionada Marina disse que foi um “engano”. O deputado federal Jean Wyllys, defensor da causa homossexual afirmou que a candidata mentiu e disse mais: “Marina você não merece a confiança do povo. Mentiu, enganou a todos nós”.
Momento oportuno para se indagar: essa é a maneira de se fazer a “nova política”?



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Agosto, desgosto. Eduardo Campos na História

A cultura popular usa a expressão habitual – agosto mês do desgosto – para determinar que o oitavo mês do calendário gregoriano, é precedido, tem a fama de ser  maldito, turbulento, azarado, cheio de vibrações e energias negativas.
O mês assombrado é muito notório, anunciado ao seu início e durante todo seu tempo de vigência por temeroso vento forte, por assustantes ventanias e diz mais a sabedoria popular: mês do cachorro louco, quando aumenta a proliferação da raiva canina.
Na Roma antiga os romanos acreditavam no agouro, nos maus presságios que estavam relacionados com o mês de agosto.
E assim, desde aquele tempo, agosto ficou amaldiçoado pelo renome de agourento e a História demonstra e comprova.
Bem no início da Era Cristã. Exatamente 24 de agosto, ano 51 d.C, ocorre o martírio do apóstolo São Bartolomeu, martirizado e executado por sua pregação do evangelho promovendo milhares de conversões ao cristianismo na Armênia que passou pelo suplício de sentir sua pele retirada e depois decapitado.
Decapitação, barbárie na antiguidade, barbárie na era moderna, quando agora em agosto, também d.C, a sinistra execução de um jornalista americano, decapitado.
24 de agosto de 1572 por ordem de Catarina de Médici o massacre da noite de São Bartolomeu, matança que dizimou os huguenotes, protestantes franceses calvinistas.
Mais um 24 de agosto trágico, esse no ano de 1954, funesto acontecimento que assolou o país com a morte de Getulio Vargas, que pelo suicídio renunciou não somente a presidência da República, mas a própria vida.
Agosto de 1914, o Império Austro-hungaro - outrora importante estado europeu - invadiu a Servia e teve início da 1ª Grande Guerra Mundial, quando morreram nove milhões de combatentes.
Agosto de 1939, Hitler invadiu a Polônia e em razão da agressão a soberania começa 2ª Grande Guerra Mundial, a segunda grande carnificina da humanidade. Mais de 40 milhões de mortes somadas, das quais seis milhões podem ser atribuídas ao racismo nazista que promoveu o holocausto contra os judeus.
No início de agosto de 1945, Hiroshima e Nagazaki foram destruídas por uma bomba atômica. Milhares de pessoas morreram no momento das explosões e outras milhares, no decorrer do tempo, por efeito da radioatividade pelas graves lesões e câncer.
No Brasil o mês de agosto é marcado também por tragédias e crises políticas. Já foi mencionado o suicídio de Getulio Vargas alterando e tumultuando a vida política nacional. Jânio Quadros não se suicidou, mas também renunciou a presidência da República, ocasionando mais desentendimento, caos na política brasileira.
Agosto comprovadamente funesto no país. Agosto de 1976, dia 22, na via Dutra morre tragicamente em acidente automobilístico Juscelino Kubitscheck.
Morre em 13 de agosto de 2005, lenda viva da esquerda brasileira, Miguel Arraes.
Em 13 de agosto 2014, morre precocemente, de modo trágico por desastre avião seu neto Eduardo Campos, candidato a presidência da República.
Todos esses fatos no mês de cada agosto trouxeram como resultados efeitos marcantes na vida e história política do país.
Agora, mais uma vez. No episódio funesto mais recente com Eduardo Campos, o cenário político e eleitoral transformou-se completamente.
Com a morte de Campos, Marina Silva, sua obscura vice, tem a ascensão política desejada anteriormente, presidência da República.

Eduardo Campos oscilava nas pesquisas eleitorais em torno de ínfimos 10%. Marina candidata próxima dos 30%. A morte de Campos mudou tudo. Por caminho infausto e cruel, foi demonstrado que Marina era a candidata de fato à presidência. Por desventurado e enlutado momento foi ungida à condição favoritíssima para governar a República Federativa do Brasil a partir de 2015. Que Deus a abençoe.     

terça-feira, 26 de agosto de 2014

PERGUNTAS: HÁ RESPOSTAS?

Perguntar não ofende, diz o ditado popular, às vezes incomoda por alguma indiscrição. Há o direito à pergunta. Toda pergunta implica numa resposta, ou não. Perguntar é a interrogação que se faz para saciar uma curiosidade. A pergunta é feita para receber uma informação, uma explicação, uma consulta, que demanda, solicita sempre uma resposta. A pergunta é a ilação para investigar, indagar, inquirir, dirimir as dúvidas.
A pergunta numa frase de um escrito, no contexto em que ela está encadeada, é representada por um sinal gráfico, conhecido por ponto de interrogação.
 Pergunta-se: por quê? Pergunta-se mais:
ü  Você acha justo, legal, moral e decente, se utilizar a memória de um morto, explorar o sentimentalismo piegas para servir à propaganda eleitoral gratuita?
ü  Não se trata também de demagogia?
ü   Você tem coragem de assistir ao programa de propaganda eleitoral gratuita, protagonizado por enganadores, candidatos declinando ladainhas mentirosas?
ü  Quem assistiu aos jogos da seleção brasileira pode ver a propaganda eleitoral gratuita. Alguém discorda?
ü   Dilma, Marisa, mulheres. Eu voto em Luciana. E o caro eleitor em quem?
ü  Marina Silva eleita presidente da República. Governará com o PSB ou com o seu partido, a ser organizado, o Rede Sustentabilidade?
ü  Eduardo Campos morreu. Depois elogiadíssimo por todos os políticos. Homem de caráter sem jaça, idôneo, grande administrador, tinha tudo para ser presidente. Com todos esses predicados por que aparecia somente com 9% das intenções de votos. Pesquisas erradas?
ü  Marina Silva já está com 20% dos votos nas pesquisas eleitorais, efeito comoção nacional? Quando voltar a normalidade, passado o abalo comovente manterá o percentual?
ü  E ai como ficarão Dilma e Aécio?
ü  Você se lembra? Marina na eleição passada, quando era do PV, somou 20 milhões de votos. Quanto ela poderá somar agora com um partdo mais forte e uma coligação maior?
ü  O Católico Apostólico Romano votará na evangélica Marina?
ü  Empresários do agronegócio, preconceituosos e racistas votam em Marina?
ü  Quem perde mais com Marina candidata: Dilma ou Aécio?
ü  Os homófobos certamente votarão em Marina?
ü  Você viaja em Cesna?
ü  Você tem respostas para as perguntas?
                                                          *** ***


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Aluno expulso de escola: ilegal

Durante 30 anos, como professor, no desempenho do magistério, atividade realizada preferencialmente em âmbito da escola pública.
O ambiente da escola pública, a clientela de alunos – por estatísticas sabemos – é predominantemente de perfil da chamada classe média baixa (classe C e D) e até alguns de classes inferiores onde se inclui os excluídos. Por ser assim tão diversificada a escola pública em sua maioria apresenta problemas com a disciplina.
Nas três décadas de magistério foram poucos, raríssimos os casos graves de indisciplina por mim assistidos. Um ou outro caso de um aluno insolente, rebelde, atrevido por ofensas, casos que derivavam, como meio de coibição, como efeito de atitude exemplar, nada além de uma admoestação enérgica - exemplo de uma escola com autoridade que escuta e dialoga – ou às vezes o exagero de uma suspensão - exemplo de uma escola autoritária, que ameaça e pune. Sabemos de casos de escolas em periferias das grandes cidades que são gravíssimos, onde o cotidiano escolar para ter disciplina é de imensa dificuldade.  É aquela escola que agrega alunos de classe inferior, marginalizados, que vivem em ambientes familiares indignos marcados pela indigência, alunos que trazem de casa resquícios da desgraçada convivência e que chegam até a escola onde se tornam casos sérios e perigosos de indisciplina.
A escola esgota recursos para tornar o ambiente escolar disciplinado. A situação é difícil. Recorre às possibilidades permitidas para manter a ordem disciplinar até elas serem exauridas e depauperadas e então acontece a decisão simplista, negativa, a alternativa antipedagógica, a última entre as piores: expulsão do aluno.
O Conselho Estadual de Educação, por negativa repercussão, adiou a votação, o parecer sobre a proposta que pode proibir a suspensão e expulsão de alunos.
Vamos teorizar sobre a expulsão de determinado aluno de uma escola. Evidentemente que acompanhará o aluno, pela expulsão e para uma possível transferência o seu curriculum, totalmente desabonador, indesejável situação que motiva a nenhuma outra escola aceitar a transferência daquele um aluno com péssima vida pregressa escolar. Anteriormente, acima no texto mencionei amenos casos de indisciplina. No entanto, em determinada escola, tive conhecimento do comportamento agressivo de um aluno que ameaçava colegas com uma faca pontiaguda deixando o ambiente escolar tomado pelo medo e o pavor, com o sentimento de algo muito grave pudesse ocorrer. Por precaução medidas urgentes se faziam necessárias.
Solução pela direção escolar, expulsar o aluno. Na verdade foi usado um eufemismo, lhe oferecendo a transferência. O pai do aluno não gostou e insatisfeito procurou seus direitos, em beneficio da legitimidade do filho em estudar, junto ao Ministério Público. A autoridade do MP condicionou a transferência desde que outra escola admitisse sua matrícula, o que não aconteceu, que não foi possível pelo peremptório motivo de uma desculpa “não há vagas” e desse modo o imbróglio formado que somente foi solucionado mais tarde, quando a família do aluno, por questões profissionais  resolveu mudar de endereço para outra cidade.
Outro importante detalhe de ordem constitucional e que pode causar mais trapalhadas na ordem judicial: aluno expulso por indisciplina, pelo mau comportamento, inaceitável em qualquer escola aonde estudará?
A educação é um direito que a Constituição garante a todos sem distinção. Portanto não pode existir qualquer dispositivo que impeça alguém estudar, muito menos uma expulsão. Trata-se de uma encrenca jurídica, muito mais além do que uma questão da educação e disciplina. Envolve os difíceis problemas sociológicos, a dura realidade social do país. Soluções são necessárias e certamente elas não serão provenientes do setor educacional exclusivamente, das escolas dedicadas especificamente ao ensino, da expulsão ou não de alunos. Quem sabe para isso, como solução, a criação de instituições educativas como os reformatórios nos Estados Unidos, onde um conjunto de preceitos instrutivos e morais buscam a reforma, a correção da personalidade indisciplinada.







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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Hino Nacional: margarida não; mais garrida, sim

Hinos. Gostei do assunto, especialmente porque me trás belas recordações do tempo de menino, lembranças das séries iniciais de colégio, das primeiras lições de ensino, da minha primeira professora, uma linda morena, de lindos olhos verdes, de nome Arlete.
Colégio Guariba, localizava-se à rua da Abolição, que começava no largo da Abolição, Rio de Janeiro. Ali fui estudante nas séries primárias, do 1º ao 4º ano.
Tempo do tempo passado, tempo do início de uma vida educacional. Inesquecível.
Rua da Abolição de leve aclive. No alto situava-se o colégio, apropriado e adequado numa casa residencial, que comportava no máximo 100 alunos.
Na descida, a rua tinha como percurso a direção da estação do Engenho de Dentro. Naquele bairro hoje, ali perto, onde funcionava a oficina de reparos da Estrada de Ferro Central do Brasil, está localizado o estádio Engenhão, construído para os Jogos Pan-Americanos. A EFCB antiga estatal, hoje privatizada, realiza o transporte urbano para subúrbios e cidades vizinhas do Rio através de trens elétricos.
A diretora e professora do Colégio Guariba era a Dona Ondina. O diretor e também professor era o seu Oscar, coronel da Policia Militar, rígido na disciplina com fortes traços do autoritarismo militar, inclusive, a partir do uniforme dos alunos, com todas as características do soldado: túnica de cor cáqui abotoada até o pescoço, calças também cáqui, sapato preto e como cobertura na cabeça usava-se o casquete, hoje, o mais usual seria o boné.
O seu Oscar passava dos limites impostos pela disciplina.  Ultrapassava o conjunto de prescrições para a boa ordem ser mantida, na verdade era o paradigma em certos momentos da estupidez. Seus acessos pela paranóia disciplinar eram ultrajantes, provocando em certos momentos o ponto crítico da ignorância, como por exemplo, colocando de joelhos um sobrinho e aluno, para servir de exemplo aos demais, agredindo-o com palavras (ofendia chamando-o de burro) e fisicamente com puxões de orelha.
Para todos nós, colegas pré-adolescentes, cenas chocantes, inesquecíveis para o mal.
A metodologia de ensino era a usual, a didática tradicional (português, matemática, ciências a etc.), mais havia uma matéria extracurricular, própria do colégio, versando o patriotismo, ressaltando fatos históricos, o civismo com o aprendizado de hinos.
Além do Hino Nacional e Hino da Bandeira, especificamente, tinha-se conhecimento de outros hinos, enaltecendo a dedicação e devoção à pátria. Exemplos:
Hino da Independência: “Já podeis da pátria filhos/ Ver contente mãe gentil/ Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil... Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”.
Até um hino, na verdade uma canção ligada ao Exército, Canção do Expedicionário: “Você sabe de onde eu venho?/ Venho do morro do Engenho/ Da selva dos cafezais/ Da boa terra do coco/ Da choupana onde um é pouco/ Dois é bom, três é demais”.   
Nas quartas-feiras, determinação da escola, por influência militar, todos os alunos perfilados, um atrás do outro, numa distância regulamentar, que nem soldado, se cantava o Hino da Bandeira: “Salve lindo pendão da esperança/ Salve símbolo augusto da paz”. Nos sábados, do mesmo modo os alunos perfilados, a obrigação era entoar o Hino Nacional, cântico que na época, criança, pouco entendia sua letra:
“O lábaro que ostentas estrelado/ E diga o verde-louro dessa flâmula... Mas, se ergues da justiça a clava forte...”
O seu Oscar, o coronel, comandava os hinos e a entonação principalmente com a letra não poderia haver erros. Então, comumente, por exemplo, ele interrompia o hino naquela estrofe “Do que a terra mais garrida”, chamando atenção para a clareza do verso, evitando a pronúncia a ser confundida com “Do que a terra margarida”.
Passado, parte de um tempo. Lembranças de um tempo de encaminhamento da vida naquele presente, preparação para o futuro.




segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Allon enfants de lá Patrie/Le jour de glorie est arrivé

Copa do Mundo: “Pô, que chatice. De novo o passado. Fazer lembrar “aqueles sete”...saco”. Assim pode estar pensando o leitor (aquela meia dúzia). Não, nada disso. Trata-se mesmo, é verdade, de Copa do Mundo, não uma resenha de aspecto técnico e tático, mas sim uma inter-relação com o espetáculo como um todo - não somente o futebol propriamente dito –, mas a união com o civismo, o social, o cultural e a esportividade.
Pois bem. Do que se trata aqui está relacionado ao cerimonial que ocorria antes do início dos jogos. A entrada em campo das duas equipes, arbitragem e a execução dos hinos.
Foram realizados 64 jogos. Assisti a todos. Na verdade nem todos. Alguns antes do encerramento do primeiro tempo a paciência se esgotava com a ruindade do futebol e então procurava outra coisa para fazer.
Ruindades, como exemplo, Irã 0 x 0 Nigéria; Japão 0 x 0 Grécia; Inglaterra 0 x 0 Costa Rica, e mais duas ou três partidas bem ruinzinhas que não tiveram especificamente como resultados tão somente o empate de 0x0.
Uma conta de chegar. Foram 64 jogos. Partindo do princípio de que assisti o começo de todas as partidas, significa dizer que ouvi – levando-se em consideração, que são duas equipes representativas de dois países, portanto dois hinos – a execução de 128 e no mínimo a repetição de três hinos de cada país, considerando-se que na primeira fase, a de classificação, cada equipe atuou em três jogos, portanto três hinos.
Os hinos têm por peculiaridade evocar a história de luta de um país,
Cantos em louvores a pátria, reverenciar os seus heróis, estimular o sentimento patriótico do seu povo, reconhecer, não deixar cair no esquecimento, às tantas batalhas, lutas, guerras, até forjar, formar uma nação. Via de regra, assim, dessa forma, os hinos se expressam.
 Há hinos que se diferenciam desse tema. O Hino Nacional brasileiro, por exemplo, enaltece as belezas naturais (Se em teu formoso céu risonho e límpido), exalta o patriotismo ( O pátria amada, idolatrada, salve, salve).
O Hino da Inglaterra reverencia sua rainha, glorifica sua majestade (Deus salve nossa bondosa rainha; longa vida a nossa nobre rainha)
Há hinos longos como o brasileiro. Dos 3 min. 43 seg., tempo de sua duração e executados somente 90 segundos a cada jogo, obrigação exigida pela FIFA. Quem não teve problema com essa exigência foi o Japão com o seu hino, o mais curto que se tem notícia, 20 segundos. Nos três jogos que os japoneses disputaram longe dos 90 da FIFA, na verdade, se soma um total de 60 segundos.
Há hinos fortes, canções revolucionárias, com letras ásperas, incentivadoras de lutas e vinganças, mas com melodias belíssimas, de intensa musicalidade.
Hino da Argélia, agradável sonoridade, letra enérgica, enaltecendo o sentimento revolucionário, conforme estrofe inicial:
“Juramos pelo raio que destrói/ Pelos rios de generoso sangue derramado.../Com nossos mortos edificaremos a glória”.
Hino da mais linda musicalidade, marcante pela combinação bonita de sons, pela sucessão rítmica inesquecível, mas de uma letra contundente, cântico que rememora em séculos passados o domínio de exércitos, legiões estrangeiras em terras francesas.  
A famosa canção revolucionária, a Marselhesa, como é conhecido o hino francês tem a letra extremamente vingativa, alimenta intensa ferocidade:
“O estandarte ensanguentado se ergueu/Ouvis nos campos rugirem/Esses ferozes soldados?/Vem até nós/Degolar nossos filhos, nossa mulheres/Às armas cidadãos.../O que deseja essa horda de escravos, de traidores, de reis conjurados”.
Preferível a mais amena, a estrofe inicial da Marselhesa:
“Allon enfantes de lá Patrie/Le jour de glorie est arrivé.