domingo, 14 de novembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ganhou o poste

O achincalhe foi demais por parte da imprensa reacionária, tendenciosa e abobada, quando usou o epíteto de poste para a candidata Dilma, com a intenção evidente de ridicularizar de modo zombeteiro. Isso também pode, com o cognome usado, ser um preconceito machista contra a mulher. Pois então ganhou o poste, na verdade, com todo o respeito a senhora Dilma Rousseff. Venceu de maneira insofismável com 56% dos votos, uma diferença respeitável de 12 milhões de votos, para a decepção total da direita conservadora. A vitória poderia ser obtida já no primeiro turno se não fosse os quase 20% de votos de Marina Silva, contrariando todas as pesquisas de intenção de votos, quando no máximo poderia chegar aos 10% e nas urnas alcançou quase 20%. O previsto era de que esse percentual de votos seria dividido entre Dilma e Serra. Elementar caro leitor. Evidentemente quem se baseou nessa divisão matemática reconhecia o favoritismo na vitória de Dilma, o que se consolidou na apuração de votos do segundo turno. Só não viu quem não quis enxergar ou o radical inconformado com a prognosticada e irremediável vitória do PT. Manteve-se cego, acreditando numa talvez profética reviravolta. O episódio de Erenice Guerra, que poderia retroagir o quadro eleitoral não foi suficiente.
No Rio Grande do Sul não houve a divisão da metade dos votos para cada lado, como aconteceu, ao que tudo indica em todo o país. Marina obteve 11% dos votos dos gaúchos na primeira etapa e no segundo turno a maioria optou pelo candidato José Serra em torno 7 a 8%, o que é demonstrado principalmente em 25 municípios da serra gaúcha, sendo que em cinco Dilma diminuiu sua votação. Em contraposição unicamente, em Carlos Barbosa, Dilma venceu nos dois turnos. O fenômeno da transferência maciça de votos de Marina para Serra na região é comprovado pelas apurações de votos em dois municípios: Caxias do Sul e Farroupilha. Em Caxias Marina somou um pouco mais de 32 mil votos no primeiro turno, Serra acima de 116 mil, Dilma em torno de 91 mil. No segundo turno os aproximadamente 32 mil votos de Marina foram para Serra, que foi a 136 mil. Dilma acrescentou um pouco mais de 5 mil e passou para aproximadamente de 96 mil votos, o que significa que Serra aumentou mais ou menos 27 mil votos sua votação. Em Farroupilha repetiu-se a vantagem de Serra. Marisa chegou perto dos 4 mil votos, Serra quase 19 mil, Dilma em torno de 17 mil. No segundo turno Serra aumentou a vantagem para 23 mil, uma diferença a mais em volta de 4 mil votos, enquanto Dilma teve um pequeno acréscimo de um pouco mais de 300 votos.
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Foram implacáveis no período pré-eleitoral as criticas, algumas imponderáveis, de determinada imprensa conservadora e reacionária, porta-voz das elites dominantes, como a Rede Globo, o jornal Folha de São Paulo e a revista Veja. Com uma pauta jornalística direcionada, com editorais, comentários e reportagens tendenciosas, com a clara exposição de prejudicar a candidata Dilma agiram de uma forma que os mesmos órgãos de imprensa condenam. Não adiantou.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A urna

O sujeito tem a manifesta vontade de realizar algo. É impedido por um chamado conselho familiar. A mulher é contra, os filhos a acompanham na opinião. O marido, o pai, enfim, o suposto chefe da família, apesar de argumentos legítimos e consubstanciados para alcançar seu objetivo, a realização de um projeto, é acuado, dizimado por um contexto de palavras sem um raciocínio lógico, não possuindo a menor base de convencimento, a sustentação necessária para prevalecer uma ideia ao menos razoável, contraditória ao que deseja o sujeito. Apesar da certeza de suas preponderações perde a parada. Contrariado concorda com a família.
Outro caso. O correto funcionário, ciente de seu trabalho, desempenha com retidão seus afazeres. Conhece muito bem suas atribuições e por isso as cumpre com segurança, sem a mínima margem de erro. Apegado as sua funções tem imenso carinho pelo que faz. Um dia um chefe novo. Começa a intrometer-se no serviço com procedimentos errados. O funcionário tenta convencê-lo de que a forma a ser utilizada é imperfeita. Nada adianta. Tem que se submeter ao errôneo comando da chefia. O chefe de família pressionado, como também o funcionário, realiza o que não deseja. São dominados pela vontade alheia. O direito de escolha, do desejo realizado é inconcebível pela maioria dominante. Há, porém, um momento em que de fato irá prevalecer sua vontade, o direito inalienável de escolha de forma incontestável, quando sua consciência, sua vontade, sem qualquer pressão determinará o que fazer. É quando se encontra solitário diante da urna secreta de votação. Ali é ele mesmo. Sua vontade sem interferência de quem quer que seja prevalecerá. Trata-se do pleno e secreto direito democrático, sem qualquer restrição, de se fazer uma escolha. Assim seja.
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Quem não votou em Dilma ou Serra no primeiro turno se sente deserdado, desamparado numa segunda escolha. O pensamento não vale para quem votou em Marina, um voto de solidariedade, quem sabe de protesto, mas muito provavelmente de descontentes petistas. Quem é do voto ideológico lhe é oferecido agora, como a todo votante, quatro alternativas: Dilma, Serra, voto branco ou nulo. Certamente por convicções à esquerda, por uma questão de idiossincrasia, uma das opções é completamente descartada.
No segundo turno a questão é saber para quem vai os 20% dos votos de Marina. Deve ser dividir entre Dilma e Serra. Com isso de acordo com o primeiro turno Dilma que fez quase 47% vai a 57% no segundo. Serra de 32% poderá chegar a 42%. Serra deverá ainda ser prejudicado pelo feriadão. Quem vota em Serra, classe média, prefere curtir a folga. Por isso a abstenção deverá superar os 18% do primeiro turno, com mais um adendo. A eleição no primeiro turno é mais atraente ao eleitor em termos regionais, quando se vota em governador, senadores e deputados. Por tudo isso Dilma tem indicativos para vencer a eleição, a não ser que Serra consiga milhões de votos junto ao eleitor da mesma Dilma ou de repente, no momento final, surja algum aloprado.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Diferenças

Na maior parte do Rio Grande do Sul a dobradinha de candidatos do PT funcionou e obteve um resultado politicamente correto, na exatidão da expressão. O PT da candidata Dilma Rousseff superou seus adversários em quase todos os rincões do Estado, exceto na região nordeste, onde predominou o candidato do PSDB José Serra. Em contraposição o PT de Tarso Genro venceu absoluto em primeiro turno em todas as regiões do Rio Grande, sem ressalva alguma. Indiscutível vitória. Alcançou a unanimidade por ser um candidato da oposição e recebeu o afago do eleitorado cansado de governos situacionistas. O eleitor desejou mudanças e provou isso com inteira conformidade de votos.
Na serra gaúcha Dilma não obteve unanimidade e então se nota o politicamente incorreto. Para presidente da República um candidato ideológico de direita. Para o governo do Estado eleito o governador de posição político partidária contrária. O fenômeno desse fato, poderíamos dizer, a incoerência política, ocorreu nessa região e particularmente em Farroupilha. Esse contraditório, o ilógico político, a incongruência partidária, teria explicação? Talvez ela possa partir de sociólogos, cientistas políticos ou de outros especialistas da matéria.
Na ótica do leigo, na posição do cidadão laico, pode-se fazer algumas divagações, realizar deduções, basear-se em algum raciocínio, buscar o senso comum, a resposta desejada.
A principio, não que seja prioritária, a conclusão é de que a região tem preconceito machista. Presidente da República uma mulher jamais. Mas, e as mulheres votaram ou não em Dilma. Talvez se tivessem votado o resultado poderia ser outro. Mais uma questão. Predomina na serra o conservadorismo e o candidato José Serra é o representante autentico. Venceu. Então, Tarso Genro ganhou por aqui. Conservador? Falar o quê? Por favor, alguém tente explicar.
Especialmente em Farroupilha, o resultado da eleição é também motivo de discussão. Alem das questões do machismo, conservadorismo, mulher não vota em mulher, ficou claramente especificada algumas situações em que se coloca a divisão das classes sociais. No centro da cidade e bairros adjacentes (São Luiz e Nova Vicenza) e o interior, o conservadorismo é predominante, localidades de gente abastada, da classe média para cima. Obvio que Serra ganhasse naturalmente como presidente. Mas ganhou Tarso Genro também para o governo. Trata-se do novo representante do conservadorismo. O eleito dos ricos. Parece que sim.
No bairros populosos, de gente operária, da classe C e D houve a coerência. Ganhou Dilma e Tarso e o candidato ao senado Paulo Paim.
Detalhe. No cenário político farroupilhense chama atenção a votação do interior. Três distritos (1º, 2º e 4º) predomina o conservadorismo, pelo voto conservador. O 3º distrito com o maior eleitorado é oposto à situação das outras localidades. No 3º ganharam Dilma, Tarso e Paim.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

E agora, como é que se faz

O peemedebista fervoroso não gosta de trairagem. O militante político não gosta de idas e vindas. Pode ter sido esse um dos motivos entre tantos do fracasso retumbante de José Fogaça e por conseguinte do PMDB. Fogaça se engraçou com o PPS. Não se deu bem. Retornou ao PMDB. Com isso perdeu certa magia, a do político carismático, que fez carreira de deputado, senador e prefeito de Capital. Enredou-se nos enganosos caminhos da política. Recentemente sua ligação com o fracassado governo estadual só lhe trouxe prejuízos, declinou em muito o seu prestígio. Além do mais não se definiu, não se mostrou abertamente posicionado com a candidatura presidencial de José Serra. Jamais decididamente fez a opção recomendada pelo partido. Por tudo isso, perdeu.
Sacrificar Fogaça unicamente pelo fracasso nas urnas é injusto. Tem culpa o PMDB por seu líder e presidente senador Pedro Simon. Oportunista, volátil politicamente, praticante equilibrista ao se colocar em cima do muro, deu insegurança aos adeptos peemedebistas. Primeiro, conforme resolução partidária, jamais deu apoio explicito a José Serra, candidato preferencial da cúpula peemedebista gaúcha. Por prudência, ou sabe-se lá porque, ficou em dúbia posição. Melhor o muro. Ali se equilibrou, impelido por forças opostas, a partir da divisão dessas mesmas forças pela preferência de candidatura: Dilma ou Serra. De repente, quando de fato ao que parece abandonou Serra, pulou do muro e se ensaiou para o lado de Dilma. Conservadores do PMDB local não gostaram, criticaram.
Simon retornou ao muro. Esquecido Serra, sua dubiedade ficou restringida a Dilma e Marina. O caráter de dualidade não deu certo quando escolheu Dilma. Depressa retornou para cima do muro e refletiu. Pulou para o outro lado, o de Marina. Ali permaneceu desconfortável, incomodado. O lado de Marina ficou vazio com a decisão do segundo turno. Solução: muro. E agora, como é que se faz? Dilma ou Serra há a necessidade de decisão ou a prática da valência física do equilíbrio em cima do muro.
O PMDD perdeu o governo do Estado, não elegeu senador e somente quatro deputados federais e encolheu sua representação na Assembléia Legislativa.
Para o Senado mais uma mancada do PMDB. Germano Rigotto demorou em ser lembrado e convidado. Seria bom descobrir o motivo dessa vacilação. Enfim Rigotto escolhido. Onipotente, sentindo-se já eleito por seu histórico político, não aceitou a recomendação partidária para ter como companheiro o deputado Ibsen Pinheiro. O raciocínio de alguém muito confiante e individualista era absoluto: votem em mim e escolham outro candidato. Entre a autoconfiança e a estratégia política, errou. O eleitor escolheu Ana Amélia e Paim, esqueceram o onipresente Rigotto. Além disso ninguém esquece. Não pegou bem a famosa transferência de votos na eleição para governo do Estado em 2006 e certamente perdeu votos petistas. Já estratagema político do PT deu certo. Com dois candidatos – Renato Paim e Abigail Oliveira – não ofereceu muita escolha para outros adversários políticos. Afinal Abigail somou um 1 milhão e meio de votos, que como segunda opção poderiam ter ido para Rigotto ou ser dividido com Ana Amélia.Por falar em Ana Amélia o poder de comunicação da RBS é retumbante. Assim como Ana Amélia outra comunicadora teve sucesso político. Lembram-se de Maria do Carmo. A RBS conseguiu até eleger como deputado um apresentador das condições climáticas, o homem do tempo.

Trairagem

Quando m gente acreditava, tinha a quase certeza, que a eleição para o governo do Estado se resolveria somente num segundo turno e provavelmente a eleição para a presidência da República estaria decidida em primeiro turno, segundo os indicativos de institutos de opinião pública, pela intenção de voto, Dilma seria presidente do país.
Aconteceu tudo ao contrário. Tarso Genro para o governo estadual obteve expressiva e insofismável votação. Sobraram votos. Uma vitória com o percentual de 54%, contra 43 dos adversários uita (25% Fogaça, 18% de Yeda). A conquista de Tarso foi irreparável pela condição de liderança em todo o estado do Rio Grande, vencendo quase absolutamente em pequenos, médios e grandes municípios. Nos 496 municípios venceu em 460 (92,74%). Fogaça em 23 (4,63%); Yeda em 13 (2,63%). Como se nota os adversários colocaram-se muito longe do intuito de provocar um segundo turno.
Foi acanhada a soma de votos do PSDB com Yeda. Não chegou a 20%. Esperavam um pouco mais. Mas o eleitor ficou cabreiro com os escândalos, deixando o partido manchado por diversos fatos: falcatrua no Detran, escuta na Casa Militar, o super faturamento das contas de publicidade do Banrisul. Decididamente esses acontecimentos ocasionaram uma boa perda de votos.
Decepcionante também a votação do PMDB com a irrisória soma de 25%, número muito aquém do partido, histórico em suas lutas, valores perdidos para o fisiologismo. Além da derrota para o executivo perdeu uma vaga para o Senado e elegeu somente quatro deputados federais. O PMDB é poder desde o tempo de Collor sem nunca ter estado no poder. Essa condição de clientelista pode ser perdida depois de muitos anos: imagine-se a Dilma perder. Mas quem sabe. Como sobrevive da dependência política, poderá surgir uma aliança com Serra. Ocorreu com Fernando Henrique. Por ser assim se afastou do pragmático ideológico. Perdeu-se no tempo Agindo dessa forma oportunista, a doutrina partidária, o programa ideológico ficou no fundo de uma gaveta.
Esse jeito de agir deve ter sido um dos motivos da fragorosa derrota. Um outro, entre tantos motivos, foi a escolha do candidato ao governo do Estado. Começamos pelo início, pedindo desculpas pela redundância. O candidato natural seria Germano Rigotto. Não foi. Porque não se sabe. O motivo deve estar escondido nos escaninhos da luta pelo poder. Não foi Rigotto, o escolhido foi José Fogaça. Fogaça foi um histórico peemedebista. Seu passado ficou manchado. Atraído por Antonio Brito assinou ficha no PPS. Brito perdeu prestigio, como também o partido. Fogaça perto de iminente fracasso político salvou-se como o filho pródigo que volta à casa antiga, ao PMDB. De qualquer maneira foi ungido na condição de candidato. O histórico militante peemedebista não gostou, achou uma “trairagem”.
Retorno com o assunto na próxima semana

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

HEG ou HPEG

Tenho minha ideia formada, convicções e convenções políticas afirmadas. Em qualquer eleição somente aguardo a divulgação, o nome do candidato, coerente com a minha doutrina política. O resto é supérfluo, enfim perfumaria, como o HEG ou HEPG.
Por 45 dias, obrigatoriamente, em período pré-eleitoral, é transmitido pelas emissoras de radio e televisão o programa denominado Horário Eleitoral Gratuito ou Horário Político Eleitoral Obrigatório, ou qualquer coisa que seja. É a oportunidade dos candidatos, através da legislação eleitoral, conforme ditames da democracia, de apresentarem-se, tornarem-se conhecidos, mostrarem suas ideias, sua plataforma política. É o momento que tem Dilma, Serra, Marina, Plínio Arruda, para convenceram os eleitores. Lamentavelmente - mas o direito democrático assim permite - o eleitor tem que ouvir as grosseiras palavras da Tati Quebra Barraco, a retórica superada de Paulo Maluf, ou as bizarrices apalermadas do palhaço Tiririca.
O título do programa a ser empregado pouco importa, mas ressalve-se algo de importante: de gratuito não tem nada.
Devido a veiculação da propaganda eleitoral as emissoras de rádio e televisão abertas recebem do governo desconto no pagamento do Imposto de Renda, tratando-se de uma exceção fiscal. A dedução prevista é de 80% do valor cobrado pela transmissão de propagandas comerciais naquele horário de acordo com a tabela de cada emissora, o que explicitamente trata-se de uma compensação. A Receita Federal estima que a soma de dinheiro que deixará de entrar nos cofres públicos é de 850 milhões de reais, dinheiro, sem qualquer demagogia, poderia ser bem empregado em obras sociais.
De acordo com a população brasileira – um pouco mais de 190 milhões – seria como cada brasileiro pagasse R$ 4,44 para receber informações dos candidatos e dos partidos políticos e até desaforos de figuras gaiatas, o que determina decididamente que quem paga o horário político é o contribuinte. Há opiniões de que o governo não deveria pagar pelo horário eleitoral. Nem o governo, nem os partidos, nem os candidatos. Muitos acham que a conta deveria ficar nas mãos dos empresários do setor de comunicação a partir do raciocínio de que rádio e televisão é uma concessão pública e consequentemente patrimônio da sociedade brasileira, administrada pelo Estado.
Acredito que muitos eleitores necessitam do horário eleitoral para obterem informações, deixar a indecisão de lado, votar conscientemente e até desistir de algum candidato. No entanto para mim, o famigerado horário é de nenhuma valia, como também os debates radiofônicos e televisivos onde nada se aproveita dos candidatos, políticos profissionais, de retórica enfadonha, inconvenientes em suas explanações com aquela eloqüência aborrecida. Dispenso horário político e debates em razão de que o meu voto é ideológico. .